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Destaque Cosplay: Fernando "Ferio" Siqueira
Escrito por Gabriel Dias   
05-Jan-2009
Índice de Artigos
Destaque Cosplay: Fernando "Ferio" Siqueira
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No primeiro Destaque Cosplay do ano, entrevistamos aquela que é responsável pelo Cosplay Brasil, por concursos de cosplays e muito mais... confiram agora a entrevista com o nosso multi-homem, Fernando Siqueira ou, simplesmente, Ferio.

Quem é Fernando Carreño Siqueira?
Entre suas multi-funções, está o poserismoMeio boliviano, medio brasileño e um pouco de tudo o que se pode imaginar. Formado em Engenharia da Computação pela Universidade Federal de Itajubá e morando em Bragança Paulista (SP), quem o vê não imagina que tenha tanta história para contar e tantas atividades em seu “currículo” no mundo otaku, em 12 anos de “carreira” no meio; webmaster, tradutor de mangás, cosplayer, coordenador de eventos, juiz de concursos...

O “multi-homem”

Como cosplayer, tem por volta de uma dezena de cosplays e uma participação na final nacional do WCS em 2006 (a primeira edição ocorrida no Brasil). Sua lista de cosplays é formada por:
Seta Noriyasu (Love Hina)
Li Pailong (Shaman King)
Citan Uzuki (Xenogears)
Cho Hakkai (Saiyuki)
Shin (Cowboy Bebop)
Lord Raptor (Darkstalkers)
Duas Caras (Batman)
Nanahara Shuya (Battle Royale)
Kabuto (Naruto)
Hatake Kakashi (Naruto)
Heidern (The King Of Fighters)
Roy Mustang (Full Metal Alchemist)
Aizen Sousuke (Bleach)

Como coordenador de eventos, colaborou no Anime Rio em 2003 e desde 2005 é coordenador da Yamato;
Por essa última, é um dos idealizadores da Yamato Cosplay Cup (em todas suas categorias), um dos responsáveis diretos pela participação do Brasil no CLC e contato com organizadores de eventos nos países da América Latina.


Ferio com seu primeiro cosplayCB – Nesse meio otaku desde 97, já foi cosplayer, webmaster, coordenador, juiz de concurso, tradutor de mangá e mais um sem-número de coisas. Falta algo, como, talvez organizar seu próprio evento? Ou já pode se dar por satisfeito no “campo experimental” e agora é se focar em algo?
Ferio – Eu sempre considerei todas as minhas atividades como um hobby, algo que eu fazia em meu tempo livre. Então por mais que eu me dedicasse a projetos neste meio, seja como coordenador, webmaster ou cosplayer, para mim sempre foi como um hobby. Eu já fiz bastante coisa desde 1997 mas eu sinto que ainda não fiz o bastante. Eu até pensei em fazer algo mais profissional e permanente. Mas como ser profissional em um meio onde 80% dos projetos e empreendimentos ainda são amadores? É muito difícil nadar contra a corrente e sinto que é o que eu sempre fiz nos últimos 12 anos. Minha carreira no mundo otaku não está no fim, ainda há muito o que fazer. Mas só o tempo dirá o que virá pela frente.

CB - Você arriscaria dizer o porquê de, 12 anos depois, o meio continuar majoritariamente amador?

Ferio – A credito que a principal a razão seja o desinteresse das empresas neste nicho do mercado. Quando a Yamato Comunicações e Eventos entrou com força em 2003, provocou uma revolução e um pulo na qualidade dos eventos. Em 2004 aconteceu algo similar quando as grandes editoras começaram também a investir neste meio e o anime e mangá se tornaram algo do nosso dia-a-dia e não mais algo restrito a pequenos grupos. O meio pode ser considerado ainda amador depois de 12 anos, mas é bastante promissor. Existe um grande mercado cheio de possibilidades ainda não explorado.

CB – E a vida de cosplayer, sente falta dela? Você se considera um cosplayer aposentado?

Ferio – Não me considero um cosplayer aposentado, mas nos últimos anos tive outras prioridades.  Eu me formei, arranjei um bom emprego e estou me dedicando a construir minha vida. Mas meu gosto por fazer cosplay nunca diminuiu. Quem sabe no futuro eu tenha mais tempo e recursos para voltar a me dedicar ao hobby como cosplayer. Vontade não é o que falta.

CB - Faz planos, mesmo que distantes? Quem sabe voltar em "grande estilo" e já disputar um grande concurso?

Ferio – Eu sempre tenho planos e ideias, mas nem sempre consigo realizá-los. Quem sabe eu consiga levar adiante alguns deles e voltar a competir em algum concurso. Só não posso descuidar das minhas atuais responsabilidades e projetos.

CB – Você participou da primeira edição do WCS e agora há outros tantos grandes concursos da Yamato que você ajuda a organizar. Já passou pela sua cabeça alguma(s) vez(es): “Que vontade de trocar de lugar com esse cosplayer e competir”?

Ferio – Nossa, um monte de vezes. Eu gosto de cosplay, gosto de ver grandes apresentações e ver o trabalho dos cosplayers reconhecidos. Às vezes sinto vontade de participar não como organizador ou coordenador, mas como competidor. Porém ser coordenador e ser parte de tudo isto também é muito gratificante. Um cosplayer demora meses para preparar seu cosplay, sua apresentação e arrumar tudo para subir ao palco e se apresentar. Coordenadores e organizadores também passam meses preparando tudo e planejando os eventos e os concursos. Não tem show sem a presença de um ou do outro, é um trabalho feito em conjunto.

CB - Com a sua experiência como cosplayer e coordenador, você fica imaginando os dois lados, naquele mesmo momento? Por exemplo, quando é coordenador, fica pensando como agiria naquela hora como cosplayer? E como cosplayer, fica imaginando como você agiria se fosse coordenador?

Ferio – Eu tento sempre pensar pelos dois lados. Como coordenador, preciso pensar em questões de segurança, de infra-estrutura e também questões econômicas. O concurso tem que ser viável, seguro, organizado e justo. Mas não posso esquecer o lado do cosplayer. A opinião da pessoa que está no show. Por isso também tento pensar em quais são as necessidades do cosplayer, o que ele precisa, o que o motiva e o que pode ser feito para melhorar sua apresentação. Infelizmente às vezes as necessidades de ambos os lados vão em sentidos contrários, então é preciso ter muita cautela e cuidado ao tomar as decisões. Tanto o cosplayer quanto o coordenador sabem que não podem se dar o luxo de cometer erros.

Como coordenador do Anime FamilyCB – Como coordenador da Yamato e alguém que tem muitos contatos no exterior, o que os fãs podem esperar para 2009 em termos de eventos, concursos e afins? Alguma coisa revolucionária (como foram os artistas japoneses em 2003, o WCS em 2006) ou talvez (apenas) uma maturação das coisas já existentes?
Ferio – Como coordenador da Yamato, fui um dos criadores da Yamato Cosplay Cup, cujo objetivo não é eleger o "melhor cosplayer do mundo". Seu real objetivo é promover o intercâmbio cultural entre países e colocar o Brasil em um patamar de destaque neste meio. Alguns anos atrás, quando pensávamos nos melhores eventos ou cosplays do mundo, logo pensávamos no Japão, Estados Unidos ou na Itália. Eu sempre quis mudar isso, e é o que está acontecendo. Aos poucos, estamos tornando o Brasil referência em eventos e cosplay.

Mas ainda há muito caminho a ser andado. Se por um lado a qualidade dos nossos cosplays melhorou bastante, o mercado em si ainda não amadureceu. Sinto falta de mais seriedade e compromisso em quase todos eventos e nas atividades relacionadas ao cosplay no Brasil. Como coordenador da Yamato, para 2009 eu pretendo melhorar a Yamato Cosplay Cup em todas suas categorias. Em 2006 criamos a YCC, em outubro de 2008 criamos a YCC Duplas e a YCC Grupos. As ideias e os conceitos estão na mesa, mas está faltando a parte prática. Mais organização, mais infraestrutura e mais divulgação. Pretendo mudar isso em 2009, melhorando os concursos para que sejam um modelo para outros países. Tenho outros projetos relacionados ao portal Cosplay Brasil para 2009, mas eu prefiro não comentar até ter algo mais concreto.

CB – Quando você diz que falta "mais organização, mais infraestrutura e mais divulgação", eu entendo que a parte da organização é algo que vem até mesmo com a prática. Mas infraestrutura e divulgação é algo que a Yamato costuma fazer bem, não?

Ferio - Sim, a Yamato é uma das empresas brasileiras que mais investe em infraestrutura e divulgação relacionadas a cosplay. Mas no geral, não está sendo suficiente, e falo isso de todas as empresas do meio. No que se refere à divulgação, arrisco dizer que ainda há milhares de cosplayers espalhados pelo Brasil que não conhecem direito os concursos nacionais, suas regras e como podem fazer para participar deles.

No que se refere a infraestrutura, os grandes eventos têm todos os equipamentos, espaços e palcos necessários. Mas isso não acontece em eventos regionais e menores, onde os cosplayers têm poucas ou nenhumas condições de se desenvolver e se apresentar. É preciso melhorar a comunicação com o público e os cosplayers, não só no eixo São Paulo-Rio de Janeiro, mas em todas as regiões do Brasil. Mas de nada adianta fazer isso se também não nos preocuparmos com a infraestrutura e organização dos eventos e concursos nessas regiões.
[nota: já houve seletiva de WCS em evento que não tinha palco]

Ferio como Citan Uzuki (com Jeff Duck ao fundo)CB – Indo para o campo imaginativo, fazendo um mero exercício mental: se aqueles (poucos) cosplayers que se destacavam (de longe!) há uns sete anos (como Cassio Kawakita & Eliana Hitomi, Alessandro "Von Victor") continuassem fazendo cosplay hoje em dia, acha que eles continuariam tão a frente ou já teriam sido “alcançados”? Quem sabe até mesmo perdido terreno?
Ferio – Como tudo na vida, isso é uma questão de adaptação e atualização. Tomo por exemplo o mercado automobilístico: nas primeiras décadas do século XX várias empresas automobilísticas surgiram, mas poucas sobreviveram até hoje (como a Ford e a General Motors). A razão disto foi a capacidade de se adaptar às novas situações e aprender com as mudanças e novidades do meio.

Os cosplays de hoje em dia já não são feitos como em 2000. Muitas coisa mudou e o que era surpreendente na época, hoje é banal, comum. Eu acredito que se fosse do interesse deles e se soubessem aprender com as mudanças, todos os cosplayers que tanto se destacavam nos primeiros anos do cosplay no Brasil teriam as mesmas condições de serem destaque hoje. Do mesmo jeito que eu acredito que um cosplayer novato tem a mesma capacidade de, em poucos meses, se tornar um cosplayer de destaque. É tudo uma questão de vontade e capacidade.

CB – Mantém contato com muitas dessas pessoas das antigas? Sabe por que elas pararam de ir em eventos?

Ferio – Do mesmo jeito que o meio muda, as pessoas também mudam. Ainda tenho um pouco de contato com essas pessoas e as razões são sempre as mesmas: mudança de prioridades. Você tem que fazer uma coisa enquanto gostar de fazê-lo e te satisfazer. A partir do momento que ela passa a ser mais um fardo que uma diversão ou necessidade, é hora de mudar o rumo de sua vida. Foi isso que aconteceu com eles. Escolheram o caminho de acordo com suas necessidades e com o que desejam, e isso os levou para longe dos eventos. Mas vale lembrar que todos têm seu próprio caminho e fazem suas própias escolhas. Conheço muitas pessoas que vão aos eventos desde o começo (1997~1999), continuam indo e tenho certeza que continuarão por muito tempo.

CB – Petra e Aino, por exemplo.

Ferio – Exato. E tem inúmeros outros exemplos: Lita,Thaís “Yuki”, Marcelo “Vingaard”, Jéfferson “Pen Pen”, Sérgio Peixoto...(risos)


Atualizado em ( 05-Jan-2009 )
 
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