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CB - Agora falando da sua atuação na área da fotografia, você tem bastante destaque nesse aspecto no meio cosplay. Todo cosplayer que se preze tem uma foto com a marca d´’agua Neo NiGHTS. O que você acha disso?
Gabriel – *risos* Não são todos os cosplayers porque, infelizmente, ainda há muitos estados a serem desbravados por mim. Esse ano pretendo expandir meus horizontes para outras regiões do país, aguardem-me!
Sobre o que eu acho, dá um orgulhozinho, sim, visitar Fotologs e afins, de cosplayers do país afora e ver fotos minhas. Sinal que o trabalho tá sendo bem feito, né? De alguma maneira, agradando.
Gostoso é quando tenho a chance de encontrar algum cosplayer (ou mesmo fotógrafo) de outro estado e quando descobrem que eu sou o "Neo Nights" fazem aquela cara de "Nossa, é você!" *risos*
Preciso confessar que eu também faço isso, quando conheço um cosplayer ou fotógrafo que só conhecia por fotos.
CB - Você já mencionou os desentendimentos na equipe de fotografia, mas já aconteceu de surgirem problemas em relação ao seu trabalho, longe da colaboração? Problemas com cosplayers, ou com credito de fotos, ou algo do tipo?
Gabriel – Oxe! Infelizmente, sim. Mas eu sempre tento resolver da melhor maneira possível.
Os problemas mais comuns são "Mimimi, você não tirou foto minha", "Mimimi, minha foto ainda não foi ao ar". Como eu disse, já tive que apagar uns incêndios relacionados a isso. Explicar para a pessoa que se a foto ainda não foi ao ar é porque o fotógrafo em questão ainda não colocou as fotos no site e por aí vai.
De "você não tirou foto minha", aconteceu com amigos, inclusive *risos*
É que às vezes, e isso é um erro meu, quando encontro um amigo no evento, que está de cosplay, eu vejo o meu amigo (ou amiga) com quem quero conversar e não enxergo um cosplayer para tirar foto... felizmente, desse pedaço não ficou ressentimentos.
Pelo menos a Laura "Buu" e o Maurício "Psy" continuam falando comigo normalmente, depois desse tipo de "incidente" *risos*
O que mais pega, dos problemas, é a tal da marca d'água, não dar os créditos e por aí vai...
E tem "peixe grande" que faz isso. Já peguei umas revistas Mundo OK! (uma espécie de Made In Japan, mas da Yamato] com fotos minhas sem o menor crédito para mim!
Em Fotologs já teve quem apagou a minha marca d'água, a do CB, e colocou a própria...
Olha, eu não miguelo, nem nunca miguelei, foto (contanto que não seja para fins lucrativos, evidente). Sempre que me pedem uma versão "limpa", eu passo numa boa. Mas custa dar o crédito?
Pessoas exemplares são o Marcelo "Vingaard" e a Thaís "Yuki" que sempre, absolutamente sempre, dão os créditos. Inclusive eu tive fotos minhas publicadas no livro Fenomenal Cosplay, da italiana Giorgia Vecchini, enviadas peloVingaard e Yuki, e no final do livro tá lá meu nomezinho. Pronto.
CB - Mas você também deve ter feito grandes amizades no mundo cosplay por todos esses anos...
Gabriel – Naturalmente que sim. Algumas das maiores e melhores amizades que eu fiz, foi por causa do CB (direta ou indiretamente). Do pessoal que continua "na ativa" dá para citar a Anna "Toki Sakurashi" e o Davi "Evil Ryu".
E mesmo pessoas que eu não cheguei a fazer uma enorme amizade (até porque, eu sou uma pessoa mais reservada mesmo), foi possível desenvolver um carinho e um respeito muito grandes.
Na verdade, o que eu menos fiz, felizmente, foram inimizades. Desentendimentos acontecem entre quaisquer pessoas, mesmo amigas.
O segredo é sempre tratar as pessoas com respeito e resolver diretamente, caso algum problema apareça. Nunca ficar esperando que a coisa se auto-resolva.
CB - Você toma alguma atitude quando vê suas fotos publicadas sem os créditos?
Gabriel – Hoje em dia fica mais difícil fazer isso, porque a maioria das pessoas usam as fotos em Fotolog e Orkut, que são serviços que eu não tenho conta (portanto, não posso comentar nem nada).
Mas quando eu vejo, e tenho condições, eu procuro dar um toque na pessoa, sim. Claro, sempre com uma abordagem minimamente educada.
Ruim é quando alguém toma as minhas dores e aí faz isso de maneira mais, digamos, atabalhoada.
Sempre que posso, gosto de resolver isso ao vivo.
Só ainda não fiz nada em relação à Mundo OK, mas pretendo.
CB - Se sente realizado com a sua atuação fotográfica no mundo cosplay? Ou tem outros meios de atuação?
Gabriel – Não sei se eu digo que "me sinto realizado" porque, bom, vai soar materialista, mas eu me sentiria realizado se pagasse minhas contas *risos*
Só não dá para negar que é algo que me dá prazer, sim. Tanto que estou planejando já alguns eventos fora de São Paulo para ir fotografar. Conhecer lugares novos, gente nova.
Aliás, se teve algo que o CB fez por mim, foi me permitir conhecer outros lugares fora do estado de São Paulo.
Perfeito seria o dia que, pelo menos, alguém pagasse as minhas contas para sair viajando pelo país fotografando os eventos. Sonhar é de graça, afinal *risos*
Em outras áreas da fotografia,
CB - Nem se sente interessado em atuar?
Gabriel – Interesse, sim, claro.
Tem coisas que não se pode explicar. Há algo que me prende nesse "mundo otaku" que não sei se é mero comodismo da minha parte, uma esperançazinha latente, ou mesmo uma intuição que diz que, um dia, todos esses meus esforços serão pagos, literalmente.
Há uma coisa que não dá para negar: se um dia resolvessem investir profissionalmente em fotografia de cosplay no Brasil, são poucos os fotógrafos realmente aptos para isso. Só quem fotografa cosplay sabe o quanto é diferente de uma fotografia de moda, por exemplo (a qual o cosplay é constantemente comparado).
Nesse ponto, modéstia à parte, eu sou um dos que mais tem conhecimento aqui no Brasil.
Ao menos atualmente, claro. Tem muito fotógrafo bom surgindo por aí, felizmente.
CB - Com as câmeras digitais, fotologs e a popularidade da fotografia, é comum ver muitos "fotógrafos" amadores por aí. Acha que isso o desanima com a fotografia? Ou o impulsiona?
Gabriel – Não posso criticar muito isso, porque eu fui um dos que fez parte dessa "inclusão digital" da fotografia. Quem realmente se lamenta com isso são os fotógrafos antigos, que até ontem usavam filme, tinham que aprender as técnicas, para não sair desperdiçando rolos e rolos de filme. Aí esse pessoal vê um bando de gente com o pensamento de "a câmera faz tudo" ou "depois conserta no photoshop" e sofrem
Entretanto, mesmo eu começando direto com a digital, gosto de extrair o melhor resultado possível direto da câmera, sem ter que ficar dependendo de programinhas e edição. Até porque, o trabalho no CB exige agilidade.
Esse pessoal não me desanima porque, aos poucos, o público vai aprendendo a diferenciar quem tira fotos com mais esmero e quem é um "cara-com-uma-câmera".
Ou seja, eu e qualquer pessoa que realmente queira aprender a fotografar de verdade, só deve se preocupar em melhorar o próprio trabalho ao invés de se preocupar com o cara ao lado que tira foto com o celular.
Vale, porém, fazer uma ressalva:
Uma coisa é uma pessoa que tira fotos com seu celular, que quer apenas registrar o momento, sem a menor pretensão de se achar "o fotógrafo". Outra coisa é a pessoa que tem um MPtreco qualquer que tira fotos de 12 megapixels e se sair se gabando, achando que virou o maior fotógrafo do mundo.
Não quero, de maneira alguma, ofender as pessoas que tiram fotos apenas para se divertir, sem a pretensão de "se acharem".
CB - Você tem feito o trabalho de imprensa nos eventos, tirando fotos dos concursos e tudo mais. O que acha dessa atividade? Tirou algo de importante dela para a sua vida?
Gabriel – Nossa, muitas coisas. O único pesar que eu tenho é que, por ser atividade amadora, não há nada registrado sobre essa experiência... mas me atendo às coisas boas e importantes:
Aprendi, primeiramente, a trabalhar em equipe. Também aprendi a trabalhar com metas -tirar foto de evento X, escrever sobre evento Y, entrevistar cosplayer Z- e prazos (ah, os prazos!).
Aprendi que vou lidar com pessoas muito legais, que fazem o esforço valer à pena e lidar com pessoas chatas, que dá vontade de mandar tudo pro inferno... *risos*
Nesse último caso, eu procuro pensar em todas as outras pessoas que fazem o trabalho valer à pena, aí eu continuo, apesar dos -inúmeros- pesares.
Outra coisa legal da atividade de imprensa é, nos eventos, ter acessos que normalmente não teria como público, a possibilidade de saber de uma informação antes de todo mundo. Claro que, nesse mundo, às vezes eu penso que a ignorância é uma bênção...
Se o CB fosse profissional, eu diria, facilmente, que me sinto realizado profissionalmente com essa vida de imprensa em eventos de anime.
CB - Então você teria um grande interesse em trabalhar profissionalmente na área de imprensa do CB, não como colaborador, mas como empregado mesmo...Acha que isso será possível ainda?
Gabriel – Sempre vou achar, mesmo que se passe dez anos e continue tudo igual.
Veja bem, o potencial está todo aí: temos o maior acervo midiático do Brasil (textos, fotos e vídeos), temos a maior comunidade de cosplayers do Brasil, os organizadores dos maiores eventos estão sempre atentos ao que se passa na comunidade.
Caramba, tem organizador que até fica realmente bravo se ganhar o "prêmio" de Pior Evento do Ano, no CBA... isso mostra o quanto os organizadores se importam mesmo com o que se passa no fórum.
Ou seja, o potencial tá todo aí para ser explorado.
Mas como transformar algo amador em profissional? Com muita dedicação! Há exemplos, na internet, de sites que começaram amadores, que foram evoluindo, evoluindo e virou algo profissional, com direito a publicação de revista e tudo!
Um bom exemplo disso é o site esportivo Trivela, que é especializado em futebol europeu.
Se os outros conseguem, ainda mais num mundo esportivo que já é tão consolidado e, portanto, mais difícil de se destacar, por que nós, numa área pouco explorada, não conseguimos um "algo a mais"?
Não é fácil, mas com esforço e dedicação, é muito possível. O problema é achar pessoas verdadeiramente interessadas nessa empreitada...
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