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Entrevistas
Destaque Cosplay: Gabriel "Neo NiGHTS" | Destaque Cosplay: Gabriel "Neo NiGHTS" |
| 02-Mar-2009 | |||||
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CB - Como você disse na sua entrevista do CB, você parou de fazer cosplay por falta de dinheiro e pelo desânimo em frente ao desrespeito do público aos cosplayers. Tem vontade de voltar a cosplayar? Ou é uma “fase que já passou”? Gabriel – Uma vez que você é mordido pelo "bichinho do cosplay", você nunca sara completamente. Vontade eu tenho, sim. Por exemplo, atualmente estou assistindo à Le Chevalier D'Eon e fiquei me imaginando com cosplay de Durand... sem mencionar que pretendo refazer meu OCB. Só que, invariavelmente, eu penso no gasto e desanimo... eu me mordo de inveja das pessoas que sabem costurar -ou tem um parente próximo que o faça- e o custo do cosplay cai pela metade. Se eu conseguir convencer meu bolso, ou alguma amiga generosa costurar para mim, quem sabe eu faça um ou outro cosplay, para variar um pouco? Gabriel – *risos* Há, sim. Se eu conseguisse eliminar o gasto com costureira, já seria um grande incentivo para voltar a fazer cosplay. E eu tenho uma coisa de gostar de fazer personagens fisicamente parecidos comigo, então dificilmente eu gastaria com perucas, por exemplo. No máximo com lentes de contato, se valesse muito a pena o esforço. Eu acho que quereria fazer um personagem secundário, que aparece e fala pouco, só para poder falar para o fotógrafo "Ah, não sei que pose fazer... esse personagem aparece pouco, não tem muitas poses". Só Deus sabe o quanto eu já ouvi isso! *risos* Gostaria de poder fazer isso também. *mais risos* CB - Poderiam esperar o mesmo em relação aos concursos? Gabriel – Impossível não seria. Se eu tivesse com um cosplay muito bom e uma apresentação em mente ainda melhor. O que eu não me vejo é bolando apresentações com antecedência, ensaiando um monte, já com essa pré-disposição para um concurso. Se fosse algo que fosse surgindo naturalmente, por que não? Mas um passo de cada vez, né? Deixemos eu voltar a cosplayar, se voltar... CB - A atual competitividade e “corrida espacial” cosplayer, por assim dizer, te desanima? Gabriel – Não me desanima de modo algum. Ao contrário, acho que essa "corrida espacial" trouxe grandes benefícios para o hobby como um todo. Hoje em dia vemos cosplays outrora inimagináveis! Víamos fotos de "um cara no Japão que fez um Gundam" e ficávamos babando, como se fosse algo de outro mundo! Hoje temos, bem aqui no nosso quintal, pessoas fazendo armaduras de Cavaleiros do Zodíaco, mechas, Samus (de Metroid), Hulk... coisas megalômanas. Eu duvido que essa evolução monstruosa (sem trocadilho com o Hulk do meu xará) houvesse se não fosse pela competitividade aqui. Ou, talvez, até houvesse, mas seria uma evolução muito mais lenta. Então, se eu ainda fosse cosplayer (ou fosse voltar a fazer) isso seria ótimo para mim também, porque eu poderia fazer proveito de tudo isso! Dois sonhos meus eram (são) Nicholas D. Wolfwood com sua Cross Punisher e o outro é o Siegfried de Soul Calibur. Há cinco anos atrás era loucura pensar em fazer essas coisas, hoje é "simples", o conhecimento de vários materiais, facilidade de acesso, etc., facilidade de acesso, etc., melhorou horrores! Se, por um lado, para mim ficaria mais difícil ganhar um concurso (se eu competisse), por outro faz com que cosplays outrora impossíveis fiquem quase triviais de serem feitos. Do lado de quem vê, e fotografa, então, é o céu! É muito mais agradável ir a um evento e ver aqueles cosplays caprichosos e caprichados, bonitos, vistosos, cheios de detalhes e bem feitos. Nesse ponto, a competitividade tem mais é que ser louvada. Por outro lado... e sempre há um outro lado... a "corrida espacial" traz muitas brigas, a maioria delas tão bestas que chega a ser constrangedor. Aí caímos naquela eterna discussão de "mas como as pessoas brigam por causa de um hobby e blá blá blá?".... as pessoas brigam porque são... pessoas. Onde há competição há egos e há briga. Paciência. CB - Já presenciou alguma dessas brigas? Acha que isso afeta o hobby mais do que deveria? Gabriel – Já presenciei alguns desentendimentozinhos, sim. Para variar, coisa besta que poderia ter sido facilmente resolvido se as regras do concurso fossem claras e se as pessoas tivessem tido um pouco de cabeça fria para resolverem. Só não sei o desfecho da história, se as pessoas envolvidas ficaram brigadas ou o que. Quem sabe no WCS desse ano a gente vê. Acho que não afeta o hobby, não. Digo, se afetasse demais, então as empresas cessariam com os concursos de cosplay e ponto final. Ao contrário, cada vez mais os eventos estão com prêmios maiores, incentivando mais -e melhores- cosplayers a participarem. Também nunca vi alguém parando de fazer cosplay apenas por causa disso. Já li, várias vezes, por aí cosplayers falando "não aguento mais esse mundinho, essas intrigas, vou dar um tempo nos eventos, nos concursos" e no evento seguinte a pessoa tava lá, feliz e faceira como se nada tivesse acontecido, com cosplay e se apresentando! Quem para de frequentar os eventos o faz por coisas realmente importantes, não por conta de picuinhas. CB - Sendo um otaku da "velha guarda", você deve perceber mudanças do mundo cosplay/otaku de alguns anos pra cá. O que mais mudou pra você? Gabriel – *risos* Nem tanto "velha guarda" assim. Talvez um "segunda geração"... Ah, mudou muita coisa! A começar pelos próprios cosplays, como eu disse. Hoje em dia você vê coisas que antes pareciam impossíveis. Impossível também parecia presença de cantores internacionais... quer dizer, os organizadores dos eventos da época que faziam com que o público acreditasse que era impossível trazer convidados internacionais. Hoje é um público mais heterogêneo também, mais jovem. Essa é mesmo uma questão difícil de falar "o que mais mudou". Foi mesmo muita coisa. Ainda bem que mudou, diga-se de passagem. Vejo muitas pessoas dizendo "que saudade dos eventos nos moldes de antigamente", mas quando há um evento desses, todo mundo reclama que era um evento parado, não tinha qualquer atividade de interessante... as pessoas mudam e não percebem que o "problema" é com elas e não com os eventos que frequentam. CB - E em relação ao comportamento das pessoas? Mudou o perfil? Gabriel – Há duas maneiras de se olhar aí. Uma é dizer que há perfis mais variados. Antes as pessoas iam para comprar mangás, badulaques em geral e ver anime. Hoje em dia tem muito mais variedade de coisas para se fazer, o que faz com que diversos tipos de público frequentem um mesmo espaço. Então, de certo modo, não mudou porque ainda há gente que vai à eventos para comprar mangás, bonequinhos e ver anime, como antigamente. A outra forma de se ver, e essa é mais delicada, envolve educação, caráter e outras coisas. Antigamente, como os eventos reuniam menos pessoas, eram aqueles fãs mesmo, os nerds, para deixar bem estereotipado. Era um pessoal mais "inocente", por assim dizer. Hoje em dia, em alguns eventos de São Paulo, você tem gente fazendo sexo no banheiro... Para uma parcela do público, evento virou baladinha. Lugar para "azaração", para "catar". Oras, inclusive há uma brincadeira de palco em eventos chamada de "Beijo Otaku". Nesse quesito, como pode ver, o público mudou radicalmente. Deixou de ter aquela inocência para ficar algo mais "teen", "descolado", "não nerd"... para não dizer, em alguns casos, promíscuo mesmo. Isso tudo em São Paulo, veja bem. Desconheço o público dos outros lugares do Brasil. Prefiro acreditar que seja diferente, mais bem comportado. Gabriel – Nunca escondi que um dos melhores eventos para mim foi o Animecon 2002. Aliás, foi o melhor evento para muitos. Mas foi por causa de uma somatória de coisas que fez aquele evento, em particular, memorável. Por outro lado, se você pegasse aquele evento e jogasse nos dias de hoje, eu acharia um verdadeiro porre *risos* Tenho saudade, portanto, de um momento em especial e não de um evento (ou característica deles). CB - E quanto ao futuro? Onde você acha que o cenário otaku brasileiro vai parar? Gabriel – Espero que não pare, que continue evoluindo *risos* Gostaria que dessem um jeito de variar um pouco os eventos, principalmente os de pequeno e médio porte, que são sempre o famoso "mais do mesmo". Também que os organizadores não tenham medo de investir em atrações mais variadas, como cosplayers internacionais. Claro, que continuem melhorando a infraestrutura no geral, que os cosplayers tenham lugares mais dignos para se trocar (não precisem fazer isso em banheiros e/ou salinhas que sequer tem espelho) e arrumar suas coisas. E que os cosplayers briguem menos por causa dos concursos! Como eu já comentei, há muitas briguinhas completamente imbecis que não têm a menor razão de ser (e perdurar). CB - E para finalizar, quer deixar algum recado para os leitores? Gabriel – Primeiramente, agradecer aos leitores, claro. Depois, agradecer ao Ferio pela confiança depositada em mim e no meu trabalho. Às pessoas da equipe do CB -em especial aos meus filhotes da Redação- que, se não fosse pelo trabalho de equipe, eu não teria ajudado o CB da forma que ajudei. Aos cosplayers que já fotografei -e entrevistei-, sem eles não poderia ter melhorado minhas habilidades de "fotografista" e redator. E para todos que, de uma maneira ou de outra, me deram a chance de aprender alguma coisa e acrescentaram algo à minha pessoa. É isso aí!
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| Atualizado em ( 02-Mar-2009 ) | |||||
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