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Página 1 de 3 Um dos cosplayers mais conhecidos do país, artista talentoso e uma das pessoas mais queridas da nossa comunidade. Conheçam mais sobre Jeff Duck, nosso Destaque Cosplay da quinzena!
Quem é Jeffrey Haiduk Morais?
Cosplays já realizados
Ryuji Yamazaki (The King of Fighters 97) - 2001
Ramon (The King of Fighters 2000) - 2002
Geese Howard (Fatal Fury) - 2002
Blanka (Street Fighter 2) - 2002
Ward Zabback (Final Fantasy 8) - 2002
Barry Burton (Resident Evil) - 2003
Bishamon (Darkstalkers) - 2003
Mr. Karate (Art of Fighting) - 2003
Kefka Palazzo (Final Fantasy 6) - 2004
Ifrit (Final Fantasy 10) - 2004
Eagle (Street Fighter 1) - 2004
Dan Hibiki (Street Fighter Zero) - 2005
Mike Haggar (Final Fight) - 2005
Demitri Maximoff (Darkstalkers) - 2005
Evil Ryu (Street Fighter Zero 2) - 2006
Cracker Jack (Street Fighter EX Plus Alpha) - 2006
Victor Navarone (OCB) - 2006
Terry Bogard Wild Wolf (Garou) - 2007
Wolfgang Krauser (Fatal Fury 2) - 2007
Conde Dracula (Castlevania) – 2007
M. Bison (Street Fighter 2) - 2008 |
Jefrrey Haiduk, sem “último sobrenome, Morais. Eu já não uso esse sobrenome há anos” , ou ainda, simplesmente Jeff Duck é muitas coisas; um artista, um cosplayer, uma das pessoas mais importantes para a comunidade no Fórum do Cosplay Brasil, um grande amigo e, muitas vezes, um pai para seus amigos.
É também um grande sonhador, mas um daqueles que correm atrás do que querem, que deixou sua cidade natal de Londrina (PR) para vencer na vida em São Paulo, que fez cosplays que, na época, poucos consideravam possíveis de serem feitos e agora está se dedicando ao projeto pessoal, seu livro Omni Champion Battle (OCB), para ver mais um sonho ser realizado.
E aí correr atrás do próximo pois "Sem o real, eu não consigo sonhar. E sem meus sonhos, eu não consigo viver o real."
O cosplayer
Conheceu o cosplay há mais de uma década através da falecida revista Animax, ao ver uma foto da cosplayer Petra Leão (quem, futuramente, viria a ser tornar a sua melhor amiga) com um cosplay de Sakura (Street Fighter Alpha).
Iniciou no hobby em 2001, fazendo cosplay do personagem Ryuuji Yamazaki (The King Of Fighter 97) e aí não parou mais, tendo 21 cosplays em seu currículo, sendo todos eles personagem de games, com a única exceção sendo seu cosplay de Vitor Navarrone (de seu projeto pessoal, o OCB).
Se em concursos de cosplay ele não ostenta uma lista de troféus, prêmios e certificados, fora da esfera competitiva Jeff é, sem dúvidas, um grande vencedor. Confiram na entrevista logo abaixo!
CB – Você chegou no CB em 2003 e hoje em dia você é um dos membros mais importantes da comunidade, sem dúvidas. Entretanto, você nunca escondeu que veio do Nippon X (fórum rival do CB na época) e que tinha todo seu círculo de amizades lá. Como foi aceitar o CB como sua nova casa (ainda mais depois que o Nippon X acabou de vez) e como foi ser aceito pela comunidade? Quando que sentiu plenamente que aqui era seu novo lar?
Jeff - Eu sempre fui e sou até hoje um "homem de um fórum só", e uma vez que eu me estabeleço em uma comunidade, eu sou fiel a ela até o fim (o famoso "capitão que afunda com o navio"). E realmente o Nippon X foi o fórum no qual eu conheci o mundo dos eventos e dos cosplays, além de ter feito muitas amizades, e algumas delas duram até hoje.
Mas na época, o Nippon X começou a passar por problemas administrativos, além de uns dois ou três ataques de hackers que aos poucos foram minando as forças da comunidade. Foram várias as tentativas de reerguer o fórum, mas àquela altura alguns dos membros mais ativos já tinham jogado a toalha e recuperar uma comunidade que outrora passou dos mais de 2000 membros e foi considerado o maior fórum de animes da América Latina já não seria mais possível.
Precisamente em janeiro de 2003 eu fui apresentado ao CB pelo meu amigo Burori, que era também do Nippon X e me convidou a participar desse fórum. Eu admito que fui um tanto quanto relutante, pois ainda estava concentrando meus esforços pra fazer algo pelo Nippon X ainda. Mas mesmo assim me cadastrei no CB, e fui modestamente me enturmando com a comunidade, que já me conhecia por alguns dos cosplays que eu já tinha feito, em especial o Blanka de Street Fighter.
E então, comecei a compartilhar dicas de cosplay com o pessoal aqui, incluindo um making-off completo da minha armadura do Bishamon de Darkstalkers. Além disso, como é de meu costume, comecei a fazer alguns desenhos dos usuários que eu mais era familiarizado. Pouco a pouco fui sentindo o carinho do CB, e então definitivamente me mudei pra cá, pois eu já havia pego um amor tão grande pelo fórum e meus amigos aqui que não tive dúvidas que aqui era meu novo lar na internet. Daqui não pretendo sair mais.
CB – Em 2003 tinha tudo para ser um dos anos mais felizes da sua vida, com a realização dos grupos de Final Fantasy VI e de Summons que estreariam nos eventos do ano seguinte. Porém, seu pai faleceu num acidente automobilístico. Pensou em dar um tempo no mundo otaku em geral ou, ao contrário, dali que você tirou mais forças para se manter inteiro?
Jeff - Eu recebi a notícia da morte do meu pai no dia em que eu estava confeccionando a máscara do personagem Mr. Karate do game Art of Fighting, pois eu ia estreá-lo no primeiro grande evento de mangás e animes de Londrina, o Intermangá 2003, no qual eu seria o apresentador do concurso de cosplay. Admito que diante da dor que foi a perda do meu pai, várias coisas passaram pela minha cabeça, mas naquele momento a razão me dizia que eu deveria ser forte pela minha família e por mim mesmo. Cuidar do velório e do enterro foi tudo no qual pude me focar no dia.
No dia seguinte ao enterro, eu voltei ao meu quarto onde estavam meus materiais de cosplay, e vi a máscara inacabada do Mr. Karate. Olhei pra ela e disse pra mim mesmo "A vida continua, afinal" e terminei a máscara. E nesse dia, minhas amigas Li e Beth, coordenadoras do Intermangá vieram me visitar e me dar uma força, e então me convidaram para ir ao evento, pois seria bom estar entre amigos e aliviaria a dor. Eu aceitei o convite e levei meus irmãos. Minha surpresa foi saber que no dia anterior haviam anunciado o falecimento do meu pai, e que o evento inteiro parou e fez um minuto de silêncio em sua homenagem. Também fui cumprimentado por amigos e o público presente.
Ao ver que o concurso de cosplay estava pra começar, eu vi vários cosplayers londrinenses que estavam fazendo sua estréia, ainda tensos e nervosos, como o Dam Camargo, Michi e Mari Rainha. Então perguntei à Beth se eles ainda precisavam de um apresentador de palco, e ela ainda meio preocupada quis saber se eu estava bem mesmo. Eu ergui a cabeça, inspirei e disse que sim. E reunindo forças e animação, eu apresentei o concurso de cosplays como eu sempre quis, com muita alegria e disposição, esquecendo naquele momento da dor.
A melhor coisa dessa experiência foi que eu conheci pessoalmente aquela que eu me inspirei pra me tornar cosplayer: Petra Leão, que era uma das juízas do concurso. E ela veio me cumprimentar emocionada, pois sabia da dor que eu estava passando, e ainda assim eu subi ao palco com alegria e disposição. Hoje nós somos grandes amigos (na verdade, devo dizer que ela é minha melhor amiga). No fim, isso tudo serviu pra me dar ainda mais forças pra seguir adiante, pois como eu disse pra mim mesmo: a vida continua.
CB – E em 2005 você deixou sua vida em Londrina para trás para vir para São Paulo. Quase quatro anos depois, o que tirou e continua tirando de lições? Faria tudo de novo?
Jeff - Após a morte do meu pai, realmente a vida ficou bastante difícil, financeiramente falando. Eu dava aulas de mangá na Gibiteca de Londrina, trabalhava em uma empresa de games chamada Oniria Entertainment e ainda conduzia um pequeno negócio de vídeo-games em minha residência. Mas eu sentia que estava estagnando, não conseguia evoluir pessoal e profissionalmente, e aos poucos as coisas foram piorando. Eu não conseguia encontrar uma solução viável. As aulas de mangá já não me sustentavam e mesmo o trabalho na Oniria já estava me dando prejuízos financeiros, principalmente pelo gasto com transporte, e as várias tentativas de arrumar um emprego foram em vão. Foi então que a idéia de jogar tudo pro alto e me mudar pra São Paulo me passou pela cabeça, mas a princípio achei essa idéia um absurdo completo, pois não tinha a menor certeza que aquilo daria certo.
Fui muito incentivado por pessoas que se mostraram dispostas a me ajudar, desde meu amigo Chefinho, que me disse que eu deveria arriscar, além da ajuda de alguns amigos que me hospedaram temporariamente em São Paulo, como o Severino “Observador”, Viviane “Conde D” e principalmente o Davi “+Evil Ryu+”. Então segui o conselho deles e meu instinto. Na hora, eu lembrei de um trecho da música "Like a Rolling Stone" do Bob Dylan, que diz "quando você não tem mais nada, não tem nada a perder". Pensando nisso, resolvi arriscar, afinal, o máximo que poderia acontecer era dar tudo errado e eu ter que voltar.
Mas felizmente as coisas deram certo, mesmo que a muito sacrifício, pois demorei pra arrumar um emprego. Uma vez empregado, a coisas começaram a melhorar, e em torno de um ano eu pude alugar minha própria moradia. Ainda assim não foi menos difícil, pois senti o peso da responsabilidade que é morar sozinho. Mas uma vez que você sente o gosto de uma coisa chamada "independência", você não abre mão dela por nada no mundo.
Pensando melhor hoje, eu fiz uma tremenda loucura, admito. Se tivesse que fazer isso de novo, certamente eu me prepararia melhor, principalmente em questão de moradia e sustento. Mas quatro anos vivendo em São Paulo por minha própria conta me fez pegar um amor por essa cidade que eu já me considero paulista de coração, ou "paulista postiço" como costumo dizer.
CB – Você é cosplayer há muitos anos, faz cosplays muito bons e é uma das pessoas com as melhores apresentações. Ainda assim, nunca ganhou grandes concursos (imagino que seu auge tenha sido a final do WCS esse ano). Isso frustra de alguma maneira? Por que acha que, apesar de anos de estrada, de bons cosplays, boas apresentações, não traduz isso em vitórias nos concursos?
Jeff - Talvez porque eu descobri algo que, pra mim, se tornou mais valioso no cosplay do que a vitória, que é o reconhecimento do público e dos fãs dos personagens que eu interpreto.
Em 2002, eu fui ao Animecon com quatro cosplays, obstinado a vencer. Mas não consegui ficar nem entre os primeiros colocados, e senti uma tristeza muito grande, como se meu esforço tivesse sido em vão. Foi então que eu reparei que as pessoas no evento estavam comentando entre si "Aquele ali não era o Blanka?", "Nossa, ele tá totalmente diferente, nem parece a mesma pessoa!", entre outros comentários. Foi então que eu me dei conta que os personagens que eu fiz estavam mais marcados na memória do pessoal do que aqueles com que tinha vencido o concurso, e isso mudou pra sempre minha visão sobre o cosplay, pois no fim eu me diverti como nunca, e fui reconhecido por fãs dos personagens. Aquilo pra mim já tinha sido uma vitória maior que qualquer outra.
Essa se tornou minha grande meta em concursos: ser fiel ao personagem, fazer uma boa apresentação e agradar aos seus fãs, e, se possível, ao público que assiste aos concursos. Se por acaso a vitória vier, eu encaro apenas como conseqüência.
Claro que, uma vez em cima do palco, eu realmente dou o melhor de mim pela apresentação e pelo personagem, independentemente de ser um concurso de cosplay normal, um concurso livre ou mesmo um WCS. Pra mim, mais importante que um bom resultado é uma disputa concorrida e emocionante, pois eu sou o típico "concorrente-torcedor", pois ao passo que eu concorro, também tenho meus favoritos para torcer, e quando os resultados são anunciados, eu comemoro junto com eles como se fosse uma vitória minha também. Até porque, se eu vier a ganhar, também terei amigos que torceram e comemorarão junto.
Além disso, eu gosto de saber que sou um cosplayer que "faz a diferença", pois costumo fazer personagens que a maioria das pessoas não faria, seja por não terem o porte ou a idade adequada, ou por ser extremamente complicado. Por isso, gosto tanto de fazer vilões e personagens grandalhões, assim como monstros assustadores e até personagens engraçadíssimos, como o Dan Hibiki [da série Street Fighter Alpha/Zero], que foi o cosplay com o qual eu mais me diverti até hoje, e ver as pessoas rindo das caras e bocas que eu fazia com o personagem é uma satisfação enorme.
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