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Destaque Cosplay: Maurício "Mah Psy" Somenzari
Escrito por Gabriel Dias   
03-Nov-2008
Índice de Artigos
Destaque Cosplay: Maurício "Mah Psy" Somenzari
Página 2

Maurício Somenzari “Mah Psy” é um dos cosplayers mais conhecidos no Brasil e no mundo, com um título do WCS no currículo, além de convites para participar de eventos no exterior. Nessa entrevista, ele faz um panorama geral desde sua vitória no WCS’06 até hoje.
Marcando nossa volta com o Destaque Cosplay, não poderíamos ter escolhido melhor cosplayer

 


AshuraQuem é Maurício Somenzari Leite Olivas?

Paulistano de 22 anos, formado em Administração Hoteleira pela Fundação Álvares Penteado (FAAP) e cursando Design de Moda pela mesma instituição; fluente em quatro idiomas: português, inglês, espanhol e japonês (e “arranha” outros dois: chinês e francês), e cosplayer desde 2002.

O cosplayer

Frequenta eventos desde 2002, quando também fez seu primeiro cosplay, com o personagem Taiki Kou, do anime Sailor Moon Stars. Pegou gosto pelo hobby e, depois de entrar num ritmo “frenético” (palavra usada pelo próprio cosplayer), hoje contabiliza por volta de 55 cosplays! São alguns deles:
-Rociel (Angel Sanctuary)
-Shun de Andrômeda – Armadura Divina (Saint Seiya: The Hades – Elysium Chapter)
-Cain Nightlord (Trinity Blood – CANON)
-Ashura (RG Veda)
-Juste Belmont (Castlevania: Harmony of Dissonance)
-Kuja (Final Fantasy IX)
-Neku Sakuaba (The World Ends With You)
Tem um título do World Cosplay Summit e participação em várias publicações internacionais, como o Cosmode, dentre tantas outras viagens para o exterior, sempre a convite da organização dos eventos.

Leiam abaixo a entrevista completa:

RocielCB – Acredito que dê para dizer que até 2005 você era apenas “mais um cosplayer” no meio de tantos outros, com a diferença de fazer personagens desnudos (Kuja, por exemplo). De repente, você, em 2006, junto de sua irmã, ganha a tal da vaga para o WCS no Japão e, mais ainda, ganham o título!
Como foi essa mudança de “famoso quem?” para “campeões mundiais”?

Psy - (risos) Sim, nós começamos do zero mesmo, e a cada novo cosplay (desnudo ou não) fomos criando cada vez mais coragem e vontade de continuar! O WCS foi uma grande surpresa. Quando soube do concurso, fiquei extremamente frenético! Demos o nosso melhor e conseguimos!
“Campeões Mundiais”... até hoje acho que não tenho noção da real proporção do título! Para nós, foi uma realização pra vida toda, uma honra e um imenso sonho que se tornou realidade! Nossa vida mudou, sim, várias portas se abriram, tivemos oportunidades fabulosas e conhecemos pessoas incríveis! Também houve situações ruins, mas estas foram totalmente ofuscadas pelas alegrias que tivemos!

CB – Evidente que uma vitória dessas sempre desperta toda sorte de comentários, positivos e negativos. Para piorar, você nem teve tempo de curtir direito a vitória, pois sua mãe teve um grave problema de saúde. Como foi lidar com tudo isso?
Psy - Os meses seguintes ao nosso retorno do WCS foram bem conturbados! Tínhamos vários compromissos de imprensa a cumprir, e acabamos por optar em não deixar ninguém na mão, uma vez que não poderíamos ajudar em nada no quadro clínico dela, ficando em casa, no lugar de atender aos compromissos todos.
Aproveitando a oportunidade, não posso deixar de dizer que tive o apoio de grandes amigas que me deram uma baita força pra me manter com a cabeça no lugar, pois, sim, houve quem se aproveitasse do momento para cutucar até dizer chega! Foram meses bem complicados...
Ah... acho que é a primeira vez que falo disso “abertamente”. Não é nenhum segredo, eu apenas evito falar porque não é algo do tipo “Oi, bom dia, minha mãe está internada, ok, quanto você pagou nessa peruca?”.

CB – Também houve aquele desentendimento com sua irmã. Foi “tudo isso mesmo” que algumas pessoas pintaram por aí, ou foi mera briga de irmãos, que ocorre em toda família, e ponto final?
Psy - (risos) Briga de irmãos. Só que é como costumo dizer, para o grau de exposição que tivemos, pelo WCS, não tivemos como “ir brigar no quarto dos fundos” (risos).
E, como toda briga entre irmãos, teve seu fim.

CB – Algumas pessoas chegaram a questionar a vitória de vocês, dizendo que foi “politicagem” no WCS: por ser a primeira vez do Brasil, então queriam “fazer uma média”. Esse ano, porém, Pandy e Hyoga ganharam, tornando o Brasil bicampeão. Isso encerra a discussão de que “ganham os novatos por politicagem” e prova que a vitória sua e da sua irmã foi merecida?
Psy - Quanto à questão da "politicagem", foi um tópico realmente chato com o qual tivemos de lidar, chegaram a dizer que "era óbvio" que ganharíamos, afinal, as cores do logotipo do concurso eram verde e amarelo... (risos) Acho que nunca me esquecerei disso (dentre outras pérolas...), pois foi algo extremamente criativo (risos).
Achei a vitória deles merecida, sim, pois preenchiam todos os requisitos para o primeiro lugar! Uma apresentação de impacto, e cosplays incríveis! Sinceramente, no Japão, o que vale mesmo é o impacto no palco! os juízes estão lá para serem entretidos, bem como o público, seja através de uma boa comédia ou de uma performance de encher os olhos.

CB – Depois do título mundial, você participou novamente da final nacional do WCS 2007, sem sucesso. Só foi voltar a conseguir vaga para a final de um grande concurso há poucas semanas, para o CLC. Como foi esse hiato? Chegou a incomodar?
Psy - Na verdade, foi o melhor que poderia ter me acontecido! Foi um período agitado na minha carreira! Eu me formei em minha primeira faculdade, estagiei, e então comecei outra faculdade. Apesar de levar a sério, eu encaro o cosplay como um hobby, mesmo; quando começa a dar mais dores de cabeça do que a minha rotina profissional, eu dou uma parada. Sempre tento me dedicar ao máximo, principalmente no palco, mas tenho noção de que só fui poder voltar a “dar o meu melhor” recentemente, no CLC.

Jack (Hades) e Psy (Shun)CB – Depois que você parou de fazer dupla com a Mônica, chegou a fazer dupla com outras pessoas, até que conseguiu a vaga do CLC com o Gérson (Jack). Acha que agora conseguiu encontrar um parceiro à altura?
Psy - Não desmereço o trabalho de nenhum colega, e cultivo um carinho especial por todos eles: André, Igor e Jack. Bem, eu não levo esse negócio de dupla tão a sério... Não há nenhum contrato de exclusividade, logo não vejo por que deixar de me apresentar com alguém, se surgir a idéia e a sintonia. Para mim, envolve toda uma cumplicidade antes, durante e após o palco, e eu tive sorte de encontrar quem me correspondesse com relação a isso.
Mas, sinceramente, com a minha irmã é diferente, não há como explicar, não tem igual.

CB – Você é conhecido por sempre dar uma cara sua ao personagem e à apresentação que faz com ele, quando sobe ao palco. Há a ala dos que acham válido e há os puritanos que criticam. Num concurso, sabendo que na banca de juízes pode haver gente dessas duas alas, você faz do jeito que gosta ou tenta fazer algo para agradá-los?
Psy - Bem, eu, primordialmente, faço o cosplay para agradar a mim mesmo, da melhor maneira possível. Dentro das minhas possibilidades, eu gosto de sempre tentar seguir fielmente o design básico do personagem, a estrutura da roupa, a peruca, enfim, o estilo todo. A questão do “toque pessoal” na maioria das vezes entra quando eu acho que algo não vai funcionar no palco, ou nas fotos. Acho que é uma forma minha de me sentir mais à vontade, de me “apropriar” do personagem. Mas acho que se resume a pequenos acessórios, botões, ou mesmo a maquiagem, nada muito “a armadura era lilás e eu fiz verde, porque combina com meus lindos olhos” (risos).

Juste BelmontCB – Tem muita gente nesse meio que opta pelo “politicamente correto” e diz que o importante com cosplay é apenas se divertir, mas quando perde um concurso, está lá, esbravejando contra juízes, organização, ou lamentando porque a peruca caiu. Convenhamos: ganhar é bom e todo mundo gosta.
Não está na hora do pessoal ter uma postura mais definida (como o Gabriel Niemietz “Hyoga de Toalha”, por exemplo) e dizer: “eu estou competindo, quero ganhar e pronto!”?

Psy - (risos) Bem, eu concordo, e admiro horrores o Hyoga por isso, ponto final. No meu caso, eu adoro o palco! No entanto, só me apresento quando tenho alguma idéia criativa ou diferente. Às vezes, a apresentação surge antes do cosplay ficar pronto, ou então eu tenho alguma idéia que acaba me motivando a fazer algum outro personagem.
Gosto de competir, gosto de ganhar, hipócrita quem diz que não gosta de ganhar; mas tenho plena noção de quando estou “em pé de igualdade” para com os outros competidores, e de quando não; isso muda, sim, a forma de encarar o concurso.
Quanto a lidar com a derrota, é inevitável aprender. Considero extremamente feio, depois de um concurso, sair por aí questionando/esbravejando sobre as notas e/ou critérios de julgamento. Acho que, quando competimos, estamos totalmente de acordo com as regras do concurso, bem como com o critério de julgamento da bancada de juízes. Questioná-los, acho fora de questão.


Atualizado em ( 03-Nov-2008 )
 
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