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Página 1 de 2 A paulistana Paula "Kula", prova que é possível ser (inter)nacionalmente conhecida mesmo sem participar -e ganhar- grandes competições e sem muita promoção pessoal, apenas fazendo bons cosplays. Conheçam um pouco mais dessa que é tida como uma das melhores cosplayers de Kula do mundo.
Quem é Paula "Kula Diamond"?
Com 24 anos e formada em Design Gráfico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (e com cursos de desenho de moda e ilustração), é uma pessoa que não tem medo de admitir; é nerd.
Além de animes e cosplay, tem uma grande paixão por quadrinhos e cinema (especialmente os europeus), séries de TV, shows e também videogame. Mas não pensem que isso a faz bobinha ou inocente.
Com um senso de humor e crítico muito apurados, Paula é muito mais do que deixa transparecer nos Fotologs e outras redes sociais.
A cosplayer:
Cosplayer das antigas, desde 2001, apesar de ter disputado pouquíssimos concursos de cosplay (e nunca um concurso de "grande porte" como WCS e YCC), Paula destaca-se pelos cosplays muito bem feitos.
Lista dos cosplays já feitos (em ordem):
Rei Ayanami (uniforme escolar), de Neon Genesis Evangelion
Rei Ayanami (plugsuit), de Neon Genesis Evangelion
Mamimi Samejima, de FLCL
Sugar, de Animal Magnetism
Kula Diamond, de The King of Fighters
Kula Diamond (roupa original, de Natal), de The King of Fighters
Kula Diamond (artbook), The King of Fighters
Comet, Bust-a-Move/Groove 2
Mylene Flare Jenius, de Macross 7
Miu Kurosaki, The King of Fighters Ex2: Howling Blood
Kula Diamond, Days of Memories: Her and my Hot Summer
Whip, The King of Fighters
Kula Diamond (roupa original, inspirada por ilustração), The King of Fighters/SNK Mook
Another Kula Diamond (g), de The King of Fighters Maximum Impact 2
CB - Como e quando começou a fazer cosplay?
Paula - Comecei a fazer em 2001, com o uniforme escolar da Rei Ayanami (eu era apaixonada por Evangelion e a Rei sempre foi minha personagem preferida). Escolhi essa roupa porque, além de ser super lindinha, parecia fácil o suficiente pra uma novata! *risos* Mas foi bem difícil fazer, foi o primeiro e eu entendia nada de nada, quase deixei minha família doida! Mas adorei o resultado, nunca mexi nele até hoje (er...só troquei a peruca, que a primeira era um tufo! *risos*). Eu fui no AnimeCon 2000, vi os cosplayers lá (já tinha visto numa revista, mas ao vivo é outra história) e achei lindo, especialmente uma menina vestida de Rei Ayanami! Aí, decidi fazer um cosplay pra mim!
CB - O que mais gosta ao fazer cosplay? E o que menos gosta?
Paula - O que mais gosto é todo o processo de fazer roupa, acessórios (ok, eu consigo falar 238767 palavrões por segundo enquanto faço certas coisas, mas gosto mesmo assim!) e, no final, ver tudo junto, do jeito que imaginei (às vezes até melhor, às vezes... er... nem tanto...). Também gosto de ajudar minha irmã e meus amigos, fico super feliz em, depois, ver a pessoa toda montada e saber que eu ajudei um tiquinho! Eu não tenho muitos cosplays, porque, além do fator econômico, eu não sei, realmente não sei, fazer vários ao mesmo tempo, mas gosto muito deles!
O que menos gosto? Er... falta de “tempo”...traduzindo... dinheiro, né? Acho que é o que todo mundo menos gosta também!
CB - Qual seu cosplay preferido e porquê?
Paula - Gosto de todos, até dos que eu não gostei do resultado, porque (olha, isso vai soar muito nerd, mas nem ligo!) todos têm uma história, me trazem recordações do momento em que eu estava, esse tipo de coisa emotiva. *risos* Mas, se for pra escolher, com certeza, é a roupa “comum” da Kula Diamond, porque amo a personagem e o jogo, foi o primeiro cosplay em que eu realmente me empenhei pra que saísse legal e, especialmente, foi a Nilza quem o fez para mim. A Nilza era minha amiga e também uma costureira maravilhosa. Ela fazia cosplays para muita gente e todos a adoravam [N.E.: ela foi assassinada em 2003 e foi homenageada em 2008 pelo Cosplay Brasil], daí, de certa forma, esse cosplay é uma lembrança que tenho dela.
CB - A morte dela te fez pensar em algum momento em parar de fazer cosplays? Foi muito difícil pra você?
Paula - Foi difícil pra todos que a conheciam. Ela era uma pessoa incrível, com certeza não só eu, mas todo mundo que fazia os cosplays com ela sempre vai lembrar com muito carinho, e não apenas pelas roupas. Sei que muita gente parou, mas não sei bem o motivo, já que, tirando um “oi, oi, tudo bem”, não os conheço. Entre meus amigos, a maioria continua, mas não é mais a mesma coisa, sabe? Ou talvez estejamos ficando velhos mesmo. *risos* Brincadeira!
Acho que eu não pensei em parar de fazer cosplay, não, porque é um hobby, então faço quando quiser, para passar o tempo. Acho que foi a última coisa em que pensei, em cosplay, quando a Nilza faleceu. Parecia tão absurdo que não dava para se importar com trivialidades.
Mas pensar nessas coisas me deixa muito triste, então prefiro lembrar dela pelos bons momentos, claro. Hoje, eu e as meninas, brincamos que “esse até parece um Nilza!”, quando achamos que algum cosplay nosso ficou bom!
CB - Lá em 2002, quando você disse que faria o cosplay de Kula, já fez pensando que poderia ficar tão famosa?
Paula - É que todo mundo gosta de The King of Fighters (até quem não joga gosta), então acaba conhecendo a personagem e associando. Mas já recebi um monte de mensagens de pessoas: “ah, eu joguei com a Kula e lembrei de você” - uma pessoa dos EUA me escrevendo isso! Muito legal porque, às vezes, eu estou jogando algo e lembro do cosplay de tal pessoa quando vejo determinado personagem, mas nunca achei que alguém que nem conheço iria lembrar do meu cosplay também!
CB - Tem algum sonho como cosplayer? Algum cosplay complicado, um sonho distante?
Paula - Acho que super-ultra-mega-complicado-quase-impossível, não!Mas eu sempre acho complicações, não interessa se a roupa é um vestido de festa ou um uniforme escolar, eu sempre fico caçando “pelo em ovo”. Geralmente a “complicação” eu vejo no próprio preço mesmo. Para mim esse é o maior problema, especialmente porque sempre gasto mais do que previa e fico com uma mão na frente e outra atrás!! Triste. Eu ia fazer a Rikku Samurai (do jogo Final Fantasy X-2, um dos meus jogos preferidos) neste ano, mas “empurrei” para o ano que vem, porque, além de todo o trabalho com a espada, armaduras, o elmo, etc., que são coisas que ainda vou ter que, pelo menos, tentar aprender a fazer, vai sair bem caro, então acho que esse seria meu “sonho de cosplayer”
CB - Como você escolhe os personagens para fazer o cosplay?
Paula - Escolho as personagens que gosto muito, de jogos e desenhos de que eu gosto e conheço muito bem, para homenagear algo que eu adoro, sabe? Senão, não tem a mesma graça. Isso no meu caso. Mas é lógico, cada um faz as coisas com seus motivos.
Eu também procuro ver se, de alguma forma, combino com a personagem, não estou me referindo só a tipo físico (que é algo bem subjetivo, afinal, são personagens de desenho!), mas, principalmente, se eu me sentiria à vontade usando o cosplay, quer dizer, por me identificar de algum jeito com a personagem.
CB - Você não participa de concursos. Por quê exatamente?
Paula - Porque sou ruim? *risos* Acho essa que é uma boa resposta! Melhor deixar quem sabe fazer subir num palco, do que pagar mico e deixar os outros constrangidos! *risos* Sério, eu sou muito tímida para falar em público, fico muito nervosa, suando frio... então, depois de algumas tentativas, deixei isso de lado. Fora que, logo quando comecei a fazer cosplays e ir nos eventos, eu participava e ficava triste porque não ganhava nem um “bom dia” (também pudera, né, eu também não me daria uma boa nota! *risos*), o que, a meu ver, é errado e “mata” o conceito da coisa, que é se divertir.
CB - Mesmo assim, você já ganhou um prêmio de um concurso de escolha popular, no Animecon do ano passado. Fale mais sobre isso...o que achou, se esperava, se era previsível.
Paula - Bom, se eu soubesse que estava participando desse concurso de “Cosplay Anônimo” eu com certeza não iria ganhar, do jeito que sou “sortuda”! *risos* Me avisaram mais de um mês depois e fiquei surpresa, lógico, nunca tinha ganhado nada! Minha amiga ficou em segundo lugar, foi legal porque nos premiaram pelas roupas, né, que deram muito trabalho. Aí fiquei feliz!
CB - Dizem que você se apresentou na Animecon 2002 de Mamimi. Também dizem que foi uma apresentação bem bacana para a época. Conte-nos mais sobre isso!
Paula - “Para época” foi bem colocado! *risos* Atualmente, eu ia parecer uma pateta no palco! Naquela época (falou a tia! *risos*) não tinha essas modernidades de cenário, coreografia, áudio, essas coisas chiques, não! Aliás, acho que até 2005, quando me apresentei com esse cosplay de novo (e foi a última vez que me apresentei, aliás, e só subi no palco porque ainda sabia as falas de cor), as apresentações eram mais simples. Eu acho, não tenho certeza. Para falar a verdade eu não sou de assistir concurso de cosplay não, não tenho muita paciência pra ficar sentada lá. Depois vejo pelo youtube, se ficar curiosa ou alguém me passar o link.
CB - Nunca foi a um evento da Yamato, não é mesmo? Mesmo que eles tenham melhorado, nunca teve vontade de arriscar?
Paula - Eu já fui sim! No AnimeDreams 2005 (que choveu, aliás! Não esqueço porque eu estava com o único cosplay que usei meu próprio cabelo e estava de chapinha...) e naquele Anime Friends que foi na Barra Funda, acho que foi em 2004, que estava uma loucura. Peguei trauma. Mas nem é questão de "não gostar", eu é que não costumo ir em muitos eventos mesmo, independente de quem organize.
CB - Mesmo sem se expor muito você é uma cosplayer muito popular. Acha que isso se deve aos sites como Fotolog, cosplay.com, cosspace, entre outros?
Paula - Não sou “pop” não, acho que, quem me conhece, foi por causa dos cosplays de Kula... Ou não... como vou saber?? *risos* Mas quem vê minhas fotos por aí deve ver pelo fotolog, ou nas contas que tenho em sites de cosplay... é, deve ser isso! Na “internerds” é fácil as pessoas te conhecerem!
CB - E a sua fama em outros países, como México? Seu nome é frequentemente citado países afora, juntamente com Yuki, Vingaard, Psy, Mônica, Hyoga e Pandy, embora não tenha participado de nenhum concurso internacional.
Paula - Ai, muito chique, né?! Até hoje nunca entendi direito isso, mas me senti a gostosa!
Brincadeira!
Pena que eu não ganho os prêmios e viagens legais, justamente porque não participo de concursos. Mas é bacana por me citarem e gostarem dos “troços” que eu faço!
CB - E o que você tem a dizer sobre seu cosspace estar classificado no Top Visited, com mais de 270000 visitas?
Paula - Olha, eu tenho certeza que foi um bug do site, porque não tem como acontecer um negócio desses. Se fossem 2700 visitas ainda vá lá, mas já devo ter saído dessa colocação porque recentemente fechei meu perfil só para os amigos (lógico, quem quiser ser adicionado é só pedir) porque tinha gente roubando minhas imagens e fotos, o que é uma coisa que me deixa fula da vida.
CB - Essa visibilidade te trouxe algo negativo? São comuns suas queixas em relação aos “stalkers”.
Paula - Acho que ninguém gosta de pessoas aleatórias cuidando da sua vida, né? Mas é aquela coisa: se você, amigo, faz um site/perfil/blog, que seja, na internet, está, automaticamente, dando permissão para qualquer pessoa ir olhar. Daí, às vezes, um desocupado olha e começa a te perseguir porque não tem nada melhor para fazer.
CB - Isso te afeta de alguma forma na sua vida pessoal? Esses problemas com stalkers?
Paula - Felizmente, eu sou o tipo de pessoa que quer socar ali na hora, e depois faço piada. Vou fazer mais o quê? Chorar? Ficar deprimida por pessoas que nem me conhecem e eu nem conheço (e nem quero conhecer)? Por causa de cosplay? Claro que não.
Ninguém tem obrigação de gostar dos outros, mas tem a obrigação de respeitar. Não vou deixar de gostar de uma pessoa porque disse que meu cosplay tava errado, por exemplo, isso não é motivo. Mas não vou ser educada com alguém que me xinga por idiotice, rouba minhas fotos e edições, ou seja, me desrespeita.
CB - Mas essa "fama" também dve ter trazido consequências positivas. Pode citar alguns exemplos?
Paula - Meia dúzia de gente tosca não faz muita diferença quando, em compensação, temos a sorte de conhecer pessoas interessantes e fazer bons amigos. Agora, alguns são como membros da minha família. Além disso, eu já fui chamada pra trabalhar numa empresa (famosa) de videogames por causa dos meus cosplays! (até achei que fosse “pegadinha”, mas não era, cheguei a fazer entrevista e fui selecionada). Mas acabou não rolando, porque a empresa fica em outra cidade e, atualmente, eu não teria como me mudar. Uma pena, porque foi muito divertido chegar numa entrevista de trabalho e responder coisas como: “qual é seu personagem favorito?” e “o que você está jogando agora?”. O sonho de qualquer nerd! *risos*
CB - E qual empresa foi que te fez proposta de emprego? O que eles queriam que você fizesse exatamente?
Paula - O negócio é super-ultra confidencial, eles pediram pra manter o nome da empresa em segredo, mas, é bem conhecida! *risos* Eu morri de inveja dos caras (99,9% da empresa é de rapazes!) quando fui fazer a entrevista, então acho que é de fazer inveja sim! Muitos jogos são feitos por aqui porque a mão-de-obra é mais barata. A princípio, eu ia trabalhar com pixel art (coisa de que não entendo nadica de nada, mas eles garantiram que isso não era importante, porque eu iria entrar ali para aprender) para videogames portáteis. Super legal a entrevista. Depois o rapaz que indicou me escreveu: “pô, soube que você fez o chefe dar risada! Ele nunca dá risada!”. Eu adorei naquele dia! Me escolheram porque perceberam que eu gosto de games, mas não foi dessa vez, fazer o quê? O salário também era ótimo, o ambiente...resumindo: eu quis me matar por não poder aceitar!
CB - Algum desafeto que acabou virando amigo depois? E o inverso? (em relação ao mundo “internérdico”)
Paula - Bom, como todo mundo (a não ser que tenha algum santo por aí, claro!) eu tenho umas pessoas que não vou com a cara, mas, é normal, ficando longe de mim e eu delas, tá ótimo! Já aconteceu de certas criaturas virem todas felizes e contentes serem meus “coleguxos de internerds”, eu fui educada e...depois descubro que cicraninho está me xingando por aí porque não respondi um comentário do fotolog. Afe, me poupe, a pessoa está pedindo para virar piada.
CB - Nunca pensou em dar o tradicional “tempo nesse mundo virtual”?
Paula - Olha, de Fotolog, MSN, blog, essas coisas, eu não tenho problemas em “dar um tempo”... quando não escrevo, geralmente é porque não estou com vontade mesmo (ou eu esqueci!). Atualmente eu ando bem sem vontade, aliás, sem nenhum motivo especial! Agora o Pupe e os sites/fóruns de jogos que eu entro são sagrados! *risos*
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