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Destaque Cosplay: Paula "Kula Diamond"
16-Mar-2009
Índice de Artigos
Destaque Cosplay: Paula "Kula Diamond"
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CB - Seus problemas de saúde que você citou também afetaram de alguma forma sua vida como cosplayer?

Paula - Comigo, nerdice não tem tempo ruim! *risos* Brincadeira! Eu tive umas crises fortes de depressão desde 2007, mas acho que ocupar a cabeça com coisas divertidas (não só cosplay) acabou até ajudando. Também tive problemas com coisas sérias mesmo, como a faculdade.

Kula, versão colegialCB - Pela sua formação em design, acha que isso influencia de alguma forma na confecção dos seus cosplays?
Paula - Se eu tivesse feito habilitação em Projeto de Produto seria bem mais fácil colocar a “mão na massa”, mas eu não gosto dessa área, profissionalmente.
No meu curso tive aulas de modelagem, desenho técnico, serigrafia, fotografia, coisas que ajudam um pouquinho! E acho que, por causa da faculdade, eu aprendi a planejar e olhar as coisas num todo, não só por partes. Era bem divertido levar algo de cosplay para fazer nos laboratórios, a maioria do pessoal (inclusive os professores) sabia o que era e ajudava e, aliás, muitos dos meus colegas faziam cosplay também.

CB - O Mackenzie continua sendo um antro de cosplayers ou toda aquela geração já se formou ou está prestes a se formar?
Paula - Um “antro”?! *risos* Mas o Mackenzie é tão fofo! Deve continuar, nunca vi faculdade ter tanto cosplayer! O pessoal “da minha época” eu sei que já se formou!

CB - Aliás, por onde anda esse pessoal?

Paula - Quem sabe?! Brincadeira! Com alguns eu mantenho contato freqüente, com outros às vezes falo, outros sumiram!

CB - Você tem um gosto declarado por yaoi [gênero de mangá e anime que retrata o relacionamento amoroso entre dois homens]. Já pensou em fazer crossplay?

Paula - *risos* Na verdade eu não manjo de “yaoi” propriamente dito, por isso não posso comentar. É que o trabalho que fiz na conclusão do curso foi uma história em quadrinhos adaptada de um conto em que, por acaso, o par romântico era dois homens. Aí o pessoal ficou dizendo que era yaoi. Mas não escolhi fazer o roteiro apenas por isso, na verdade, no meu roteiro, o sexo dos personagens era o menos importante.
E não, eu não ficaria legal vestida de menino, infelizmente, mas acho lindas as meninas que ficam! Já pensei em fazer o Haku, de Naruto, mas...bem...ele é quase uma lady, né?!

CB - Você é uma grande desenhista e sua TGI foi em cima de um quadrinho que você mesma fez. Já teve vontade de fazer cosplay de seus próprios personagens?
Paula - Eu desenhei uma com um vestido que eu queria ter, mas nunca pensei em fazer cosplays deles...aliás, acho que eles nem são “cosplayáveis”. E obrigada pelo “grande desenhista”, ganhei o dia!

CB - Você disse que com a experiência de designer, você vê o todo, e não as partes da roupa. Por conta disso, você muda alguma coisa do original, faz adaptações ao seu gosto?

Paula - Claro, acho que todo mundo, por mais “fiel” que esteja o cosplay, acaba colocando um pouco de si, porque cada um tem sua própria maneira de ver o personagem. No meu caso, eu tento seguir ao máximo possível as referências... tento, pelo menos. Óbvio: nós não somos desenhos, daí, o corpo do personagem tem proporções totalmente diferentes das nossas e, por maior que seja o perfeccionismo, tem que adaptar o cosplay para poder usar. Claro que, dependendo da roupa, eu peço pra colocar um saltinho no sapato, escolho um tecido mais chamativo, mas tenho cuidado para não fugir do conceito do personagem. É legal, porque o cosplay fica único, mesmo que um monte de pessoas faça a mesma roupa. E imagino que todo mundo acabe mudando um pouquinho o design... afinal, gosto é gosto e cada um tem o seu.

CB - “Gosto é gosto e cada um tem o seu”. Esse discurso é muito comum, junto do “cosplay é para se divertir”. Mas não acha que “na prática, a teoria é outra”?
Paula - O conceito do negócio é a diversão, imagino que para todo mundo. Mas não vou dizer que nunca fiquei nervosa por causa disso. Quando você gosta de uma coisa, é impossível não se envolver emocionalmente, seja lá o que for. Eu, quando vou fazer qualquer coisa, quero fazer bem feito...mas o que é “bem feito” para mim, pode não ser para você, daí “gosto é gosto e cada um tem o seu”. Ainda bem!
Na prática, posso dizer que, quando era mais nova, eu levava mais a sério. Hoje, depois de velha, quando começo a me estressar, eu dou um tempo. E sempre tem alguém para me dizer como estou sendo ridícula. Aliás, isso acontece na maioria das vezes! Daí eu penso: “e não é que é mesmo?!”

Kula, versão cheerleaderCB - Já pensou em tomar a liberdade de fazer suas próprias versões da Kula? Quem sabe uma Kula carnavalesca...
Paula - *risos* Acho que carnavalesca....bom, o próprio Falcoon [N.E.: um dos desenhistas e character designers mais famosos da SNK] chegou bem perto disso no Maximum Impact 2! *risos* Respondendo à pergunta, hã... não!
Mas eu já fiz umas versões originais da personagem, como a roupa de Natal (essa, na verdade, eu improvisei, porque queria usar a Kula em dezembro, mas não tinha nem como vestir vinil e couro, então peguei o casaco de Papai Noel que ela usa nas apresentações especiais e usei como vestido, ai adicionei meias com pompons, um gorrinho, essas coisas natalinas; e a roupa de chefe de torcida. A roupa de chefe de torcida existe na verdade, mas não é da Kula. Eu, minha irmã e minhas amigas, usamos uma ilustração do artbook da SNK como referência e fizemos as roupinhas paras nossas personagens favoritas. A roupa do Days of Memories: Her and My Hot Summer eu também tive que “inventar” da cintura pra baixo, porque não aparece no jogo o uniforme inteiro. Antes eu ficava com receio de fazer isso, de fazer uma versão que não existe ou “completar” partes de uma roupa que não aparece inteira...mas agora eu adoro! Lógico que prefiro mil vezes seguir uma boa referência, até porque o desafio está mais nisso, mas é bom fazer umas coisas originais de vez em quando.

CB - Para descontrair: todas as vezes que alguém faz um ensaio de cosplay no Museu do Ipiranga, o tempo fecha e chove. Você mesma passou por isso. Acha que os deuses não gostam de ensaios de cosplay por lá?
Paula - *risos* Eu não lembro se choveu...acho que choveu no final do dia! Ainda bem que se molhar a peruca ela não vira poodle, né?!

CB - Você não expôe sua vida pessoal no fotolog, mas é natural que as pessoas tentem te resumir por ele. Quais seriam as principais diferenças entre a Paula da vida real e a Kula, do mundo cosplay e da internet?

Paula - Não, não, eu sou a mesma nerd boba em qualquer lugar. Só que, como tinha já mencionado, na internet você precisa ter a noção de que gente que você nem conhece pode ler/ver o que você postou, então, não dá pra sair fazendo pupe, livejournal, blog, orkut, fórum, fotolog, myspace, tudo, de “querido diário”.

CB - Tem alguma mensagem para os leitores da entrevista
?
Paula - Eu não sou muito boa em mandar mensagens. Tantas frases feitas que eu podia colocar aqui...deixa ver...
Obrigada por lerem minhas abobrinhas, se alguém tiver o que reclamar que “o que esta Ninguém S.A tá fazendo aí?!”, vai encher o saco de quem me convidou, eu só aceitei o convite mesmo, véio! *risos* Obrigada por me convidarem também, fiquei contente... e com vergonha! Beijinhos pra todos!
 


Revisão por: Juliana "Duo-chan"
Fotos: Acervo pessoal da cosplayer



Atualizado em ( 16-Mar-2009 )
 
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