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A cosplayer...
Yaya Han é chinesa, fala diversas línguas e trabalha como designer e modelo. Ela é do signo de Áries e adora fazer compras, cantar, viajar, ler...Já morou na China, na Alemanha, e atualmente reside em Las Vegas, Estados Unidos. Cosplay é mais do que um hobby: é também uma profissão!
E a cosplayer!
Além de fazer suas próprias fantasias, Yaya também cria alguns projetos originais e aceita cosplays por encomenda. A vida como cosplayer lhe rendeu a fama, e ela viaja constantemente para dar palestras, workshops e fazer apresentações especiais. Ela também tem seu site oficial, o AngelicStar.net
Seus cosplays preferidos são:
Felicia - Darkstalkers
Athena - Saint Seiya
Gothic Princess - Nene Thomas artwork
Myoubi - Alichino
Lulu - Final Fantasy X
Empyrean Eyes (Peacock) - Original Design
Fire Fairy - Original Design
Lady Deathstrike - X-Men 2
Mulan - Disney's Mulan
Fook Mi - Austin Powers 3
Psyloke - X-Men
Ayumi Hamasaki (Ladies' Night)
CB – Fale um pouco de si. Coisas gerais, na verdade. O que você quiser dizer. Yaya Han por Yaya Han!
Yaya – Bom, eu trabalho de autônoma, então não tenho muito tempo livre. Mas é legal fazer meus próprios horários. Eu faço dois tipos de trabalho com design de fantasias – um é para criação total de fantasias para companhias de produção, programas de TV, etc.. O outro é manufatura de acessórios de cosplay, os quais eu vendo nas convenções. Viajo para mais ou menos 20 convenções por ano, dentro e fora dos EUA. Fora isso, sou bem normal (risos). Gostaria de ter mais tempo para fazer fantasias para mim mesma e para meus outros hobbies pessoais.
CB – E sobre seu cotidiano?
Yaya – Tento deixar a vida mais comum possível, mas com todos esses shows e eventos que eu tenho que ir, não se parece muito com uma vida comum.. mais uma vida de aventuras. O que tem vantagens e desvantagens. Quando eu tenho dias de folga, gosto de relaxar com meus amigos, ver filmes engraçados ou jogar [Nintendo] Wii. Também leio bastante!
CB – Você fala chinês, alemão, inglês e aprendeu francês, latim e japonês. Conte-nos sobre isso.
Yaya – Nasci e me criei na China, mas também passei muitos anos na Alemanha para onde minha mãe se mudou. Lá eu aprendi francês e latim na escola, mas sem praticar constantemente, ambos estão ficando enferrujados. Tomei umas lições de japonês mas, honestamente, muito do que eu sei de japonês é de assistir animes legendados. Agora eu quero mesmo é aprender espanhol!
CB – Você aprendeu a costurar por causa do cosplay, correto? Foi muito difícil?
Yaya – Não foi difícil, apenas tedioso e tomava muito tempo, imagino. Costurar é como montar um quebra-cabeças, mas o que marca uma vestimenta bem costurada é o quão limpas e corretas estão as costuras. E aprender a costurar sem atalhos e passando por todos os passos, assim como fazer as costuras parecerem profissionais, leva tempo e prática. Costuro faz quase 10 anos agora e estou bem mais rápida e melhor nas construções. Tanto que eu quero refazer algumas das minhas primeiras fantasias.
CB – Claro, cosplay não é só sobre costura. É o processo inteiro: estilizar as perucas, fazer os acessórios... você se envolve em todo o processo ou conta com a ajuda de amigos ou algo do gênero?
Yaya – Faço tudo nas minhas roupas, inclusive perucas e acessórios... apenas alguns poucos projetos eu recebi ajuda. Brian do Bounty Hardware fez alguns acessórios para mim, e com o tempo me ensinou a fazê-los. Todo o resto eu faço sozinha porque é muito mais compensador e divertido para mim.
CB – Você é uma legítima cosplayer profissional. Como as pessoas reagem, à primeira vista?
Yaya – Sinto-me abençoada que após todos esses anos no circuito, sou um rosto bastante reconhecível, então muitos sabem quem eu sou, estando usando cosplay ou não, num show. Tem muita gente que pede para tirar fotos comigo, mesmo quando não estou fantasiada. Todos são muito gentis e me apoiam e realmente agradeço por isso!
CB – Conte-nos mais sobre essa carreira. É difícil? Acha que pode ficar mais e mais popular entre os cosplayers hobbistas?
Yaya – É estressante, cheio de prazos e mal entendimento entre as pessoas. Você tem que ter muita segurança em si e sua reputação e, especialmente, ser muito diplomático. Quando outras pessoas te empregam para fazer uma fantasia para elas, você não tem mais total liberdade para fazer o que quiser e tem que passar por muitos obstáculos para fazer seus clientes felizes. Qualquer cosplayer hobbista precisa compreender que a partir do momento que isso vira uma carreira, pode, potencialmente, deixar de ser divertido.
CB – Você faz cosplays por encomenda. Crê que tem um bom mercado para esse serviço?
Yaya – Na verdade eu parei de fazer encomendas pessoais. Fiz cosplay por encomenda durante um ano e não gostei muito. Eu ainda faço o design e fanstasias para produções, como um programa de TV de Western [o popular "bangue-bangue"] que está sendo rodado em Las Vegas atualmente. E faço acessórios como asas e acessórios para a cabeça, para clientes próximos. Conheço alguns outros cosplayers, como no Limebarb, que vive de fazer cosplay por encomenda, e eu os apoio e incentivo!
CB – Fotografia é algo importante para você, como parte de cosplayar. Pensa que boas fotos são fundamentais?
Yaya –Boas fotos não são a base para um grande cosplay. Acedito que um grande cosplay tenha que parecer incrível no hall de uma convenção e também num estúdio profissional. Entretanto, amo tirar fotos temáticas com meus cosplays e gosto de ver cosplays lindos em locações bonitas. Apenas não use seu amigo fotógrafo como trapaça para fazer sua roupa parecer “melhor” nas fotos. Tente sempre dar o melhor para fazer a melhor fantasia que puder e saiba que as pessoas verão de bem perto e nas fotos da convenção também.
CB – E suas habilidades fotográficas? Comente mais sobre isso.
Yaya – Tiro fotos apenas por diversão e geralmente nunca tenho oportunidade de tirar fotos dos outros porque ou eles já têm seus próprios fotógrafos ou as pessoas me pedem para estar na frente da câmera. Mas tenho uma SLR da Canon que eu gostaria de aprender a usar mais no futuro.
CB – Você costumava participar das competições de cosplay, mas não faz isso mais. Por que isso? Tem planos de voltar?
Yaya – Parei de competir porque comecei a julgar mais de cinco concursos por ano, e esse número cresceu para, agora, mais de 15 concursos por ano. Pensei que não seria ético competir no mesmo, ou similar, concurso após tê-lo julgado. Também me divertia mais saindo com os amigos ao invés de praticar uma apresentação durante todo o final de semana, algo que eu fiz por uns dois anos seguidos. Por outro lado, adoraria voltar a competir se achasse o caminho certo e a apresentação certa.
CB – E sobre o World Cosplay Summit, já tentou/gostaria de tentar, algum dia?
Yaya – Nunca competi pro WCS porque ainda não tenho cidadania norte-americana e parece que não posso competir por isso. Mas eu abriria essa possibilidade assim que conseguir minha cidadania, se conseguir um bom parceiro e ter tempo para preparar uma apresentação.
CB – O que pensa de competições como essa?
Yaya – Muitos já me disseram que o WCS é mais um teste para um programa de TV do que uma competição, porque a “melhor” fantasia não necessariamente ganha, mas eles procuram muitos critérios diferentes nos vencedores. Acho que é bem legal ver cosplayers de tantos países e culturas diferentes se reunirem e fazerem um show juntos! Espero que todos vejam o WCS mais como uma oportunidade de criar laços e aprender do que uma competição.
CB – Você mencionou que uma das diferenças entre eventos nos EUA e México, Brasil e Itália, é a importância dada ao cosplay. Acha que isso é bom ou ruim? Vê algum problema em potencial?
Yaya – Na verdade, é bom ver essas diferenças, e crescendo, em todos esses países pondo mais ênfase no cosplay, mesmo nos eventos dos EUA. Comecei a fazer painéis de Cosplay Internacional nos eventos americanos para falar sobre as diferenças e apontar as positivas.
CB – Como foi sua vinda ao Brasil? Gostou daqui? O que gostou mais?
Yaya – Amei o Brasil, cada minuto da minha visita! Foi uma viagem bem curta e eu realmente gostaria de viajar novamente, uma visita mais abrangente. Honestamente, adorei tudo, das pessoas, das paisagens, comida, ao Anime Center onde eu participei. Foi uma das melhores viagens que já fiz.
CB – Planeja nos visitar novamente um dia?
Yaya – Planejo! Tenho esperanças de ter a chance de ser convidada de novo em alguma convenção brasileira, mas também quero fazer uma viagem pessoal, fora desse mundo de convenções.
CB – Você tem um mangá shoujo publicado. Conte-nos sobre isso.
Yaya – Em 1996 eu completei o mangá shoujo intitulado “Cherry Blossom”, uma história curta envolvendo a luta de uma garota estrangeira para ser aceita após ter mudado de país. Tem por volta de 90 páginas, escrito inteiramente em alemão e foi publicado como destaque numa revista alemã “AnimaniA” numa edição especial em abril de 1998. Aquela edição teve 25.000 cópias impressas. Era meu sonho que o mangá fosse publicado e tive muita sorte que a revista se interessou.
CB – Tem planos de publicar outra obra sua?
Yaya Han – Nossa, eu me pergunto se algum dia eu terei tempo suficiente para desenhar outro mangá... o primeiro levou mais de dois meses de dedicação e trabalho duro, e muitas noites em claro. Atualmente, eu enfrento noites acordada só para me preparar para uma convenção, e tenho 20 noites dessas planejadas para esse ano (risos).
Mas ainda que não haja planos para curto prazo, o desejo está lá. Então, veremos.
CB – Você está no livro de cosplay da Giorgia Vecchini [Fenomenal Cosplay]. Conte-nos sobre sua participação.
Yaya – Giorgia foi incrivelmente gentil em me pedir para que estivesse nesse livro. Acabei de receber uma cópia dele no outro dia. Ela fez um grande trabalho e estou realmente honrada e orgulhosa de fazer parte deste projeto. Sou muito grata à Giorgia!
CB – Já pensou em largar a vida de cosplayer?
Yaya – Não por um bom tempo.
CB – Fazer cosplays também tem um lado ruim, como qualquer outra coisa. Qual o aspecto que você menos gosta em fazer cosplay?
Yaya – O ponto que eu menos gosto é a falta de tempo. Eu tenho tecidos de mais de quatro roupas espalhados por aí e sem tempo de fazer as fantasias. Também gostaria que cosplay não fosse tão envolvido com choradeiras e rumores. O pior que já ouvi sobre mim foi quando alguém espalhou um rumor de que eu não fazia meus próprios cosplays, mas contratava alguém para fazê-los para mim. Isso me faz rir de nojo, porque eu gasto tanto tempo e suor fazendo cada uma das minhas fantasias à mão. Trabalho muito duro nelas e o processo de criá-las é a razão de eu continuar com isso por quase 10 anos.
CB – Qual sua melhor experiência com cosplay?
Yaya – O cosplay me deu tanta coisa, incluindo esse caminho como uma carreira. A melhor experiência é poder viajar tanto e os amigos que ganhei através delas!
CB – A grande mídia dá atenção para o seu trabalho?
Yaya – Eu estou na grande mídia graças aos eventos que estive envolvida. Minha página de imprensa no meu site tem uma lista.
CB – Tem algum desafio como cosplayer? Algum cosplay difícil, ou algo assim?
Yaya – Meu vestido de casamento da Yuna foi bem difícil de fazer, porque havia um sistema de luzes no vestido, assim como nas asas. Tento me desafiar em cada projeto que eu faço, especialmente duas fantasias que eu planejo para 2009.
CB – Como sua família lida com seu trabalho?
Yaya – Dão bastante apoio e me motivam! Meu pai, especialmente, é bastante orgulhoso, imagino. Ele sempre mostra para as pessoas minhas fotos e as revistas e livros que eu já apareci *risos*.
CB – Deixaria uma mensagem para nossos leitores?
Yaya –Vocês brasileiros são uns dos que mais se divertem com cosplay! Mantenham esse espírito maravilhoso e espero que nos vejamos novamente!
Tradução e revisão: Gabriel Dias e Isabel Ferreira "Miyazawa"
Imagens: AgelicStar.net |