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Entrevistas
Entrevista Diemer | Entrevista Diemer |
| Escrito por June [Tenchuu] | |
| 03-Abr-2008 | |
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Thiago Diemer tem 25 anos e é técnico em eletrônica. Nasceu em Porto Alegre, mas já mora faz um bom tempo na cidade de Canoas. Esse é o perfil básico do quarto classificado para a final de 2008 da Yamato Cosplay Cup, que conseguiu sua vaga no evento Anima Weekend.
CB - Qual foi sua maior motivação pra fazer seu primeiro cosplay? CB - Quais cosplays você já fez? Qual o seu preferido? CB - Como se dá o processo de confecção dos seus cosplays? Como é a escolha do personagem, o acompanhamento da produção...?
Thiago: Em primeiro lugar, eu tenho que gostar do personagem. Não precisa ter meu estereótipo, pois eu acho isso bobagem, legal é fazer o que você ama, sempre. Mas no caso do Tuxedo Kamen eu aprendi a gostar do personagem, porque me identifico muito com ele, que tem uma causa e um jeito próprios de lutar e fazer justiça.
Depois de fazer a escolha eu pego fotos de referência de vários ângulos, e "desmembro" o pesonagem através de desenhos. Feito isso, eu separo o que consigo do que não consigo fazer sozinho. O que eu não consigo é sempre supervisionado bem de perto por mim, nada escapa ao meu olhar fuzilante (risos).
Já na área de armaduras, sempre sobra pra mim, mesmo, fazer, não adianta "terceirizar". Já usei diversas técnicas, desde o básico EVA até alumínio mesmo! Acho divertido, a cada cosplay eu descubro algumas técnicas novas, e eu sempre dou um jeito de tentar inovar alguma coisa. Uma mente fechada nunca vai longe.
CB - Então é você mesmo que os confecciona, e às vezes tem ajuda de algum amigo ou profissional, não é?
Thiago: Eu mesmo! Eu recebo ajuda de muitas partes, sejam amigos que mostram técnicas, e até ajudam por vezes: meu irmão que fez toda a engenharia das asas do Aioros, meu pai e o pai de um amigo que me ajudaram no projeto do carrinho do Whitesmith - que tinha que ser totalmente desmontável e leve para poder ir no avião até São Paulo. Na parte de roupas é que eu recebo ajuda "profissional" mesmo, mas no resto eu sou “alfa e ômega”, eu começo e termino.
CB - Você é perfeccionista com os seus cosplays, se preocupa muito com a semelhança ao original?
Thiago: Bom, concordo que tudo é por diversão, mas nessa mesma diversão estão em jogo personagens que eu AMO, e eu me sinto no dever com os fãs deles e comigo mesmo de deixar tudo lindo. É como se fosse uma regra dentro de mim. Posso usar o Seu Madruga como exemplo: quando o fiz pesquisei todos os detalhes do Ramon Valdez, até baixei vídeos para tentar descobrir o que era a bendita tatuagem que ele tem - que, aliás, é um barquinho com duas velas, no mar. Fora isso, ainda completei com a tinta na camisa, o All Star branco, cor das roupas, dedos machucados, bigodinho. Pra mim, uma regra para se fazer um bom cosplay é sempre prestar atenção nos detalhes, isso vale muito.
Mas no final das contas, todo esse esforço não vale de nada se no fim você não se divertir.
CB - Como é a sua relação com os outros cosplayers do Sul, e a relação entre vocês no geral?
Thiago: Eu me dou muito bem com os cosplayers daqui, nós somos todos amigos, não existem panelas, gangues, rixas ou coisa do tipo. É claro que atritos acontecem, mas como a amizade é maior que qualquer troféu, a gente tira sempre de letra! Chega a ser engraçado, eu vou aos eventos e fico perdido, não sei ao lado de qual amigo/cosplayer eu fico. As pessoas aqui também são super receptivas, vocês estão convidados a conhecer a hospitalidade dos cosplayers gaúchos.
CB - O que você acha sobre o nível que os concursos de cosplay têm atingido nos eventos brasileiros atualmente? E sobre a repercussão que isso vem causando na mídia? Thiago: Está crescendo, não é? Aqui no Sul, há alguns anos, uma armadura era inconcebível, porém hoje a situação já é bem diferente.
Com certeza o nível sempre tende a aumentar, nada fica estático nesse mundo, e o meio cosplay acompanha essa tendência. As pessoas têm a necessidade de serem diferentes e então inovam; ao inovar, elas crescem, e isso é um círculo vicioso. É isso que faz as competições alcançarem o nível de shows, literalmente!
Já a mídia está tendo um papel bem esquisito quanto a isso, na minha opinião. É engraçado ver morenas somente com um tapa sexo e cheias de penas no corpo e na cabeça sendo mostradas na TV como lindas e graciosas, enquanto um cara vestindo uma armadura, dentro de um evento fechado para tal, ser taxado como um maluco que se acha um herói. Hipocrisia? Demais. Mas eu tenho fé que estamos no caminho para mudar isso.
CB - Agora conte um pouco sobre a sua experiência como finalista da Yamato Cosplay Cup 2007.
Thiago: Foi algo muito mágico, abriu muitas portas. Eu conheci pessoas maravilhosas, considero-as como meu troféu e não há nada no mundo que pague por isso. Não falo só dos competidores em si, mas também de todos os amigos que me apoiaram aqui do Sul, os staffs do evento, as pessoas da coordenação do concurso, os amigos que fiz lá... Nossa, foi incrível, e saber que eu vou poder fazer e rever tudo isso me arrepia!
Sobre o resultado, eu acho que fui muito bem. Podia ter ido melhor, eu tenho a concepção de que sempre podemos, mas meu papel foi cumprido: colocar no palco principal de um evento uma apresentação de um cosplay de Ragnarok, digna de deixar os fãs a ponto de querer mexer comigo com o mouse, como muitos me disseram (risos). Minha maior vitória foi ter recebido todo o carinho das pessoas que amam esse jogo. Fiquei entre os dez primeiros colocados, representei bem e fiz bonito pelo meu estado para uma primeira vez.
CB - Sobre o cosplay que você usou para conseguir sua vaga para a final de 2008, Aioros de Sagitário, como surgiu a idéia de fazê-lo? Foi muito difícil?
Thiago: Nossa, foi uma loucura! Se você quer saber como se faz um cosplay com o dedo quebrado, pergunte pra mim! (risos)
A idéia de fazer o Aioros-sama sempre existiu em mim. Dois amigos meus aqui do Sul, o Andy e a Vivi, fizeram o Saga e o Aioria, também da Saga G, para o WCS 2007, e colocaram uma pilha enorme em mim pra que eu realizasse meu sonho. Lá foi o Diemer à luta.
Comecei pelas asas. Tivemos que estudar a estrutura e fazer de um jeito que eu pudesse ter total controle sobre a abertura e o fechamento. Meu irmão ajudou muito nessa parte, a técnica pra fazer a armadura em si foi muito bem assimilada por mim e tudo corria bem até eu quebrar o dedo! Nossa, foi uma correria, e eu até mesmo pensei em desistir. Mas uma grande amiga, quase uma irmã pra mim, a Naru, nunca deixou que eu ficasse desanimado. Assim eu continuei, mesmo com o dedo quebrado. Fiz de todas as 41 "bolotas" de resina até as benditas asas, que dois dias antes do evento resolveram reagir com o material que eu usei para colar as penas.
Posso dizer que em três semanas eu fiz tudo. Foi muito difícil, chorei várias vezes, mas foi muito recompensador. Quando saiu o resultado do concurso, eu me abracei com a Naru e chorei muito. É muito bom sentir o carinho que as pessoas têm por uma coisa que você ama tanto fazer. Meu olhos ficam marejados só de pensar.
CB - Quais as suas expectativas para a final de 2008?
Thiago: Eu espero que tenha o mesmo espírito da última, com todos os participantes unidos para proporcionar um lindo espetáculo, transformando o YCC na maior e mais completa competição de cosplays de Brasil!
Da minha parte espero conseguir fazer tudo que tenho em mente, porque dessa vez eu vou com tudo mesmo (risos). E espero de coração que todos façam o mesmo, porque eu quero ver todos os guerreiros representantes de todas as regiões do país dando o seu melhor.
CB - Quanto ao futuro, você teria planos de participar de outros concursos como o WCS ou o Circuito Cosplay? Thiago: Pretendo participar sim do WCS, e até pretendo inovar, brincando com os sentidos das pessoas... Aguardem.
CB - Muito obrigada pela atenção, Thiago. Pra terminar, quer deixar um recado para todos que leram essa entrevista?
Thiago: Eu é que agradeço a oportunidade, adorei o ritmo descontraído da entrevista.
Gostaria de terminar dizendo para as pessoas jamais desistirem dos seus sonhos, pois todos somos capazes, basta fazer acontecer. Não se importe se você não possui o estereótipo ou o biotipo do personagem, tampouco se as pessoas o julgam capaz de fazê-lo ou não. Jamais desista. Trace suas metas na vida e aos poucos vá alcançando-as, e no final você terá uma recompensa maravilhosa: a felicidade de ver o personagem que você tanto ama no seu espelho!
Beijos do Diemer pra todos! E amigos, me aguardem... O gaúcho bobo dos Pampas vai chegar pra sacudir Sampa!!!
Entrevista por June [Tenchuu]
Revisão e edição por Miyazawa
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| Atualizado em ( 12-Mai-2008 ) |
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