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CB - Vamos começar falando um pouco sobre vocês... Quais são seus nomes, e onde moram? Quantos anos vocês têm e quais são seus hobbies e ocupações?
Duo - Meu nome é Juliana Karasawa Vieira de Souza, tenho 19 anos e moro em Campinas (SP). Atualmente, eu curso Farmácia na Unicamp. Além do cosplay, meus hobbies são desenho, pintura, artesanatos (já passei por tricô, bijuteria, biscuit, papel-machê, macramê, bordado, arraiolo...), culinária e, ocasionalmente, escrevo fanfics.
Landau - Eu me chamo Fabio, mas amigos me conhecem por Landau. Moro em São Paulo (capital), tenho atualmente 25 anos, trabalho com comércio exterior numa empresa de Super Cola, onde cuido da parte de importação, e ainda sou o responsável pela parte de informática. Tanto trabalho na cabeça que, nas horas vagas, não gosto muito de agitação. Costumo passar meu tempo livre passeando pelo centro de SP, indo ao cinema, assistindo a meus DVDs em casa, navegando na Internet e, claro, tirando um cochilo, porque ninguém é de ferro!
CB - Como escolheram os personagens para a seletiva no CLC?
Duo - O Landau me convidou para fazer o cosplay de Olívia Palito no dia da gravação do programa “A Grande Chance”; na verdade, seríamos originalmente um trio (eu, Landau e o Lieo, que faria o Brutus).
Landau - Aqui cabe um comentário: na verdade, a escolha do Popeye e da Olívia Palito não foi “para a seletiva no CLC”. Entramos de gaiato na competição!
Eu confesso que não gosto de fazer cosplay de personagens que estejam muito em evidência, como hoje é o caso dos de Naruto, Bleach e Death Note. Sempre procuro algo de que, antes de tudo, eu goste muito, que eu acredite que eu possa fazer um bom cosplay e que principalmente me divirta bastante.
A idéia para fazer o Popeye surgiu quando eu conversava com meu amigo Lieo, e estava pensando em personagens com barba para que ele fizesse. Sugeri o Brutus e decidi que faria o Popeye! Tenho mania de manter meus projetos de cosplay em segredo, para não criar expectativas nas pessoas, então fiquei pensando em quem poderia convidar para fazer a Olívia Palito, até que me veio à mente minha amiga Duo-chan, por ser magrinha! Eu a convidei no dia em que estávamos indo para a gravação do programa “A Grande Chance” e ela topou de imediato!
CB - Falem um pouco sobre a confecção dos seus cosplays. Qual foi a melhor parte? E qual foi a mais trabalhosa?
Duo - Para mim, foi bem simples, porque a Olívia usa roupas bastante comuns. A parte mais divertida foi fazer os moldes para cortar o tecido; eu sempre gosto muito de ver o papel do molde se transformar na roupa. A mais trabalhosa foi a blusa, que precisou de muitas adaptações no molde para ficar parecida com a da personagem.
Landau - Fazer o cosplay do Popeye não foi difícil. Se você analisar por alto, ele é um cara comum, um marinheiro. Não é um bárbaro medieval, um guerreiro místico ou algo similar que possa criar dificuldades na confecção da roupa. Muito do cosplay são peças de roupa comum em que eu fiz algumas modificações, como prender botões amarelos na camisa pólo e pintar o cinto.
Mas nem tudo foi simples. Eu estava pensando em fazer o cachimbo de cortiça, pois eu via nas imagens que ele era rústico, mas não imaginava o material, até que por acaso descobri na internet que é feito de sabugo de milho! (Sim, o material é usado de verdade pra fazer alguns tipos de cachimbo!) Fiz o cachimbo com sabugo de milho e um pedaço de bambu. Coloquei uma piteira numa ponta, e na outra, onde se encaixa no sabugo, um pequeno apito, que faz o som de "fu-fu"!
A parte gigante dos antebraços foi feita com espuma de poliuretano, que eu usei por baixo da camisa pólo junto com uma segunda pele (coisa de mulher, que não imaginava que existia até uma semana antes do evento, risos!). Agora, definitivamente a parte mais trabalhosa foi a gola marinheiro da camisa! Tão trabalhosa, causou tanto atraso, que acabou sendo feita durante o evento! Enquanto muita gente curtia, se apresentava ou assistia, eu estava nos bastidores cortando tecido e costurando à mão, inclusive com ajuda da minha parceira prendada!
CB - Como foi a eliminatória no evento em que se classificaram? Estavam confiantes?
Duo - Com certeza foi muito disputada. Fomos escolhidos no maior evento do circuito das eliminatórias. Confiantes não é bem o termo... eu tinha certeza de que não iria levar nada, tantas duplas com aquelas apresentações maravilhosas, e a gente com o cosplay feito em cima da hora (terminamos o cosplay de Popeye uma hora antes da apresentação), sem apresentação e subindo no palco só pra tirar onda. Imagine a minha cara quando anunciaram a gente!
Landau - Não estava confiante em nada, pois eu nem estava sabendo da competição! (risos) Apenas tinha ouvido falar por alto de um “tal de CLC”. Mas tem tanta sigla hoje em dia: CLC, WCS, YCC, GLS, PHP, HTML, YMCA... que não sabia do que se tratava exatamente, nem fazia idéia que nossa participação no concurso Tradicional Grupo estava valendo vaga classificatória.
Dá pra imaginar a surpresa que foi receber essa notícia de supetão!
CB - O que acham dessa iniciativa da Venezuela e da participação do Brasil logo na primeira edição do concurso?
Duo - Eu gostei bastante da iniciativa de promover um concurso daqui da América Latina. A participação do Brasil era algo que eu já esperava, já que temos muitos cosplayers competentes aqui (somos bicampeões mundiais, afinal de contas...) e isso “apimentaria” a disputa. Claro que a língua pode até ser um problema, porque só nós falamos português, mas nada que o “portunhol macarrônico” acompanhado de um pouco de mímica não resolva. (risos)
Landau - Acho bastante positiva a idéia de se promover uma maior integração entre os países latino-americanos, já que nesse nosso hobby nós olhamos muito apenas na direção do Japão. Muitas vezes nós conhecemos o trabalho de um cosplayer do outro lado do planeta e nem sequer imaginamos os talentos que existem aqui nos países vizinhos.
Quanto à participação do Brasil já na primeira edição do concurso acho bastante natural, já que somos, em território, o maior país da América Latina, e em questão de talento, país com cosplayers de grande destaque.
CB - Vocês acham que esse concurso pode "fazer frente" ou "concorrência" ao já consagrado WCS?
Duo - Fora dos países participantes, acho que não, embora possa servir como um “termômetro”, informando como andam as apresentações nesses países, e o que se pode esperar deles. É como comparar a Copa do Mundo com a Libertadores da América...
Landau - Não sei ainda. Vai ser a primeira edição do concurso, e compará-lo ao WCS, que já tem um histórico de seis anos sendo realizado no Japão, com participação do Brasil há 3 anos, é um tanto complicado. Mas desejo que o CLC se firme como concurso de cosplay forte para os países latinos tal qual a Taça Libertadores da América é para o futebol!
CB - Vocês têm planos de participar ou já participam de outras competições de grande porte, como o próprio da WCS, ou a YCC?
Duo - Não, acho que é estresse demais. Acompanhei muitas pessoas que participaram de grandes concursos e realmente não quero isso para mim. Além do mais, sigo a filosofia do “bom pescador só quer saber de peixe grande, prefiro ser peixe pequeno para nadar tranqüilo”. É bem melhor continuar participando só de sarro do que passar pelos desgostos que já vi muita gente passar.
Landau - Como eu costumo dizer, eu sou cachorro pequeno pra me meter em briga de cachorro grande, então não procuro participar desses concursos. Cheguei a pensar em participar do WCS 2007 junto com meu amigo Blue, para nos apresentarmos com nossos cosplays de Tao Pai Pai e General Blue, só pra rivalizar com os cosplayers alegóricos de apresentações espalhafatosas com nossos cosplays e apresentação simples. Acabou que sem querer conseguimos, Duo e eu, nos meter num concurso grande da mesma maneira, simples e sem grandes preparativos.
CB - Quais as suas expectativas para a final nacional do CLC?
Duo - Acima de tudo, espero me divertir, especialmente nos bastidores, que eu considero a parte mais legal dos concursos de cosplay.
Landau - Quero curtir bastante o momento! Ouço as histórias de participantes de outros concursos grandes desses, contando que a melhor parte é a integração de cosplayers de diferentes regiões nos bastidores, no hotel e afins. Quanto ao concurso em si, não projetei ainda grandes expectativas, só desejo poder fazer novamente algo que divirta as pessoas, a começar por mim e minha parceira.
CB - Já têm algum plano para os cosplays que usarão na final nacional? Ou é segredo ainda?
Duo - Ainda não temos nada definido, estamos naquela fase de "brainstorming".
Landau - Nós fizemos um breve "brainstorm" pra tentar decidir isso, levando em conta principalmente cosplays que nós já temos prontos, mas ainda não surgiu uma decisão em definitivo.
Eu queria fazer cosplay de E-Honda, de Street Fighter, mas acho que está meio em cima da hora pra chegar no físico ideal.
CB - Vocês fizeram uma apresentação curta, bolada em cima da hora e ganharam. Como foi desbancar duplas com apresentações mais bem elaboradas, com cosplays vistosos e efeitos especiais?
Duo - Eu fiquei realmente pasma na hora que anunciaram que nós tínhamos sido selecionados. Estava esperando que outras duplas ganhassem, como Yuki e Vingaard ou Andy e Psy. (E não, nós não temos nenhuma vergonha na cara, risos!) No final, cheguei à conclusão de que o Lieo (que ia fazer o Brutus, mas não pôde ir ao evento) fez uma mandinga muito forte para a gente ganhar, ou fizeram várias mandingas para as outras duplas perderem (risos).
Landau - Uma supresa! Algo bastante motivador, pois nos mostra que mesmo com cosplays simples é possível participar e ganhar um concurso. E também que às vezes as idéias mais bobas, aparentemente, podem ser as melhores!
CB - Isso anima vocês a participarem de competições como o WCS e YCC ou foi realmente algo que não pensam em repetir?
Duo - Acho que se eu me diverti, tá bom, o resto é lucro. Se bem que eu prefiro não participar, evita o estresse.
Landau - Me anima a continuar fazendo cosplay! Me anima a continuar me divertindo! Se no meio do caminho eu esbarrar nesses concursos é conseqüência, mas não vou fazer deles uma meta.
CB - Deixem um recado para as pessoas que leram essa entrevista.
Duo - Cosplay é um hobby; então, busquem se divertir antes de mais nada. Não pensem em ganhar, não pensem em perder, porque só vale a pena se, no final das contas, foi divertido.
Landau - Obrigado pela atenção! Espero que vocês tenham se divertido assistindo à nossa apresentação como Popeye e Olívia Palito. Meu maior prazer em fazer cosplay é ver as pessoas se divertirem. E é exatamente por isso que me aborrece ver que nesse mundinho cosplay, tanta gente ainda perde tempo com briguinhas, seja por rixa pessoal, seja por disputa de concurso e prêmios ou afins.
Galera! Vamos deixar isso de lado, vamos curtir, porque essas tretas não levam a nada. Querer ser top no mundo cosplay é utopia, porque isso não significa nada nas nossas vidas normais e cosplay é pra ser hobby e diversão. Quando cosplay se torna dor-de-cabeça e obrigação, é melhor abandonar! Concursos são momento e amigos são pra sempre! Divirtam-se!
São meus dois tostões...
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