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Entrevista Lola
Escrito por Juliana "Duo chan"   
04-Abr-2008

Loren de Oliveira Louro, mais conhecida como "Lola", tem 19 anos, é estudante de turismo, animadora de festas infantis e mora em São Paulo - SP. É a finalista do Yamato Cosplay Cup escolhida no Ressaca Friends 2007, com seu cosplay de Jeannie, de “Jeannie é um gênio” e apresentadora dos eventos AnimABC, AnimaSantos e do AnimeCon.

CB - Além do cosplay, tem outros hobbies? Quais?
Lola - Fazer cosplays para os outros conta? (risos) Cozinho desde uns 8 anos de idade, e é uma das coisas de que mais gosto de fazer, tanto que pretendo fazer Gastronomia como segunda faculdade.
 
CB - Quando e como entrou em contato com o anime/mangá? E com o cosplay?
Lola - Freqüento eventos desde 1999, então o contato com o cosplay foi algo bem natural. Praticamente cresci com isso.
 
CB - De todos os seus cosplays, qual é o seu favorito?
Lola - O de Maki, de “Final Fight”.
 
CB - Qual o seu critério para escolher os seus cosplays?
Lola - Em primeiro lugar, tenho que conhecer o personagem. Não gosto muito daquela história de “nossa, aquele personagem parece com você, por que não faz cosplay dele?”. Quando me indicam um cosplay, eu procuro saber mais sobre ele, e só faço se me identificar com ele, o que quer dizer que quase todos os meus personagens são como eu, fanfarrões ou briguentos (risos). Além disso, eu faço para me divertir ou para tirar sarro. Quase sempre eu tenho em mente uma apresentação para a Categoria Livre antes mesmo de fazer o cosplay.
 
CB Qual deles foi o mais fácil de fazer e qual deles deu mais trabalho?
Lola - Martel, de “Full Metal Alchemist”, foi o mais fácil de fazer, porque foi um típico “cosplay de armário”. O que deu mais trabalho foi a Leia (escrava do Jabba), de “Star Wars”; realmente é pouca roupa (risos), mas é tudo feito à mão. Ah, e o cenário para o cosplay de Jeannie.
 
CB - Como se sente com a conquista da vaga do YCC?
Lola - Sinto que não foi para mim. Na hora eu chorava, pulava, nem sabia quem estava lá junto de mim! Mas com certeza foi para minha mãe, para a Fer (nuriko_riki), para o Miguel (ninja4ever), para todos os meus amigos. Eu fui com a intenção de fazer a minha personagem, porque eu queria, por pelo menos um momento, encarnar a Jeannie, e foi o que eu fiz, mais para me divertir e divertir o público do que para REALMENTE conquistar a vaga.
 
CB - Quais são seus planos, tendo em vista essa vaga?
Lola - Sinceramente, meu sonho nessa YCC é ver a Lucy (Lucyana Reimão, finalista escolhida no Anime Fantasy) ganhar, então eu vou ajudá-la no que puder. Mas já que eu conquistei a vaga, eu vou até o fim, vou dar o meu melhor para divertir o público e para me divertir também.
 
CB - Como é o trabalho de apresentadora de eventos? É mais divertido ser uma freqüentadora comum de eventos ou ver as coisas de cima do palco e dos bastidores?
Lola - Eu passei num teste com o César, e como tenho bastante experiência com público, por trabalhar em outros tipos de eventos, além de ter sido professora de dança em Porto Seguro, já lidei muito com esse tipo de ambiente em que as pessoas podem te aplaudir num instante e te vaiar no instante seguinte. Em todo caso, é muito legal ter o carinho do público, das pessoas lembrarem de você, de terem visto você em cima do palco, de elogiarem o trabalho; mas é claro que é muito estressante, porque as coisas em evento dão errado, só que o público não precisa saber disso. Não é uma exclusividade de eventos de anime, e, de qualquer forma, cabe a nós, apresentadores, segurar o desastre nos bastidores e continuar sorrindo. Apesar de toda a tensão, é muito gratificante ver o público se divertindo, além de render cenas engraçadas, como eu e o Kamui surtando nos bastidores, xingando Deus e o mundo, e a Priss no meio, só olhando para a gente.
 
Quanto à diversão, isso varia de evento para evento. Fui freqüentadora por muitos anos, acabei sumindo um pouco e voltando, mas agora pretendo sair do mundo cosplay, porque, ao mesmo tempo em que ganhei muitas amizades, algumas pessoas ficaram incomodadas com o destaque que ganhei recentemente, o que gera um clima muito ruim nas coxias.
 
CB - Sobre sua atuação no Cosplay4Fun, como você entrou em contato com o grupo?
Lola - Eu estou nesse meio há muito tempo, mas acabei sumindo um pouco. Quando voltei, fiz amizade com a Simone (Simulation One), o Vítor (JeStEr-MoR) e outros que já citei – em suma, o pessoal do grupo, e acabei entrando muito de última hora, para completar o grupo da peça de Mortal Kombat. O Miguel estava desesperado porque faltava uma pessoa, precisava ser alguém que já era amigo, em quem eles já confiavam, então me chamaram.
 
CB - O que acha do trabalho do grupo como um todo? Qual deles é seu favorito?
Lola - O nome do grupo fala por nós. (risos) É um trabalho para divertir o público, e, claro, a nós mesmos, porque a quantidade de risadas e besteiras que saem na preparação da apresentação é inacreditável. Eu não estou há muito tempo no grupo, só participei de duas peças (“Mortal Kombat – O Final” e “Shun e a Rosa Selvagem”), que são as de que eu mais gostei. Como a peça em que eu mais participei da elaboração, mais me envolvi, e mais senti aquele clima de família que é o grupo é o trabalho do Shun, diria que é meu favorito.
 
CB - De onde vem a “profecia” sobre os seus papéis no teatro?
Lola - Ah, isso (risos) começou com o teatro de “Mortal Kombat”, que faltava um ninja para o cosplay. Aí, o Ricardo “Scorpion” me entregou o cosplay do Saibot para reformar, então veio a idéia de eu fazer o Smoke, por causa da piada sobre eu fumar. Daí, na volta, de caravana, o pessoal estava parabenizando o Miguel e o Ulisses pela performance, e fizeram um comentário a respeito de ter só três meninas na peça. Então revelaram que eu era o Smoke, o que foi um choque para os outros (risos), eles estavam crentes de que eu era um homem, parece que eu realmente “encarnei” o machão ali. Foi daí que surgiu a “profecia” a respeito de eu sempre fazer papel de homem ou de mulher machona, que vai se cumprir mais uma vez.
 
CB - Qual conselho que você dá para os novatos que querem chegar no patamar em que você está agora?
Lola - Não se decepcionem. Estou em eventos desde 1999 e até agora nunca ganhei nada, assim como o Jeff (Duck), que também está há muito tempo e só começou a ganhar destaque recentemente. Continuem persistindo, e, acima de tudo, façam cosplay para se divertir.
 
CB - Para terminar, o que você gostaria de dizer para quem está lendo essa entrevista?
Lola - Para os novatos, eu já dei meu recado; agora, para quem está há mais tempo, é: aproveitem o que o cosplay tem para oferecer de melhor, como as amizades, a criatividade, a confiança, e deixar de lado as picuinhas, não se importar com a competição, fazer de coração, por amor ao personagem e para se divertir, e ter em mente que cosplay é APENAS um hobby. O cosplayer é uma pessoa criativa, verdadeira, e, acima de tudo, corajosa, porque, para ter um hobby que sofre tanto preconceito, é preciso ter coragem. Não tem como vestir uma máscara para fazer uma apresentação, para conviver com os outros, porque o verdadeiro eu sempre aparece por baixo. Fora isso, um muito obrigada a todos os meus amigos, a todos que me apoiaram e me deram força.
 
 
Entrevista por Duo-chan Maxwell
Revisão por Miyazawa, VanSparrow e nuriko_riki
Atualizado em ( 12-Mai-2008 )
 
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