Universo Cosplay
Entrevista Lucyana Reimão | Entrevista Lucyana Reimão |
| Escrito por Juliana "Duo chan" | |
| 04-Abr-2008 | |
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Lucyana Reimão dos Santos, a “Lucyxscully” ou simplesmente “Lucy”, tem 28 anos e é mais uma finalista da Yamato Cosplay Cup 2008. Nesta entrevista concedida ao CB, ela conta mais sobre suas ocupações, hobbies e seu convite para participar da YCC Internacional. CB - Quando e como conheceu o cosplay e se interessou em fazer?
Lucy - Fui chamada por um amigo, Eduardo "Goku", para cuidar de uma sala no Ressaca Friends 2004, que estaria divulgando alguns fã-clubes, como Highlander, Arquivo X e o jogo Go. Fiquei fascinada desde o primeiro momento. Eram muitas coisas diferentes ao mesmo tempo: pessoas vestidas com fantasias, outras gritando palavras que não faziam parte do meu vocabulário, fazendo gestos estranhos, tomando muito mupy, um corre-corre por causa de artistas internacionais. Achei tudo aquilo meio maluco, mas muito divertido. Foi amor à primeira vista *.* ... Quando fui ao Ressaca Friends 2004, adorei ver as pessoas fantasiadas, posando para as fotos e se divertindo. Logo no evento seguinte, já fiz minha primeira orelhinha de gatinho e criei coragem para fazer meu primeiro cosplay, de Anju Ai, do Love Witch, que estreiei no final de 2004 e cuja versão melhorada usei mais tarde no Ressaca 2005. Era um cosplay de armário, simples. Eu me diverti tanto com aquele cosplay que já fiz planos para o segundo, para estrear no Anime Dreams 2005, de Nanako (Amazing Nurse Nanako). Eu estava tão empolgada que participei do desfile no sábado e no domingo com o mesmo cosplay e acabei sendo desclassificada (risos). Tinha lido as regras, mas subir ao palco nos dois dias valeu a pena!
CB - De todos os seus cosplays, qual é seu favorito? Lucy - É muito difícil escolher um cosplay que eu goste mais. Todos são muito importantes, cada um à seu modo, tendo a sua importância e mostrando um pouco de mim. Acho que a Komugi é a que eu mais gosto, pelos momentos que passei fazendo o cosplay ao lado da minha avó, e até porque ele foi a base para todos os outros cosplays em relação à técnica que uso para fazer acessórios. Ela é, como uma amiga minha diz, um combo fetiche, porque, além de coelha, ainda é enfermeira, mas isso eu levo na brincadeira porque a roupa é até bem comportada hehehe. Além disso, a apresentação que fiz com esse cosplay no Anime Dreams 2007 ficará marcada para sempre em minha memória, porque eu não esperava ter o apoio total do público levantando as 200 cenourinhas e interagindo comigo durante a minha apresentação. Foi algo inédito e que me emocionou muito! E a história continuará no Anime Dreams 2008...aguardem!
CB - Qual seu critério para escolher seus cosplays?
Lucy - Realmente, eu não tenho critério! Pelo menos isso é o que alguns dizem, porque faço cosplays aleatórios. Desde a criança mais atiradinha (Mii, de Popotan) até a moça com crise existencial em fase de amadurecimento (Yukari, de Paradise Kiss). Alguns cosplays escolhi apenas vendo uma foto, outros depois de ter assistido o anime/filme ou lido manga/comics. O meu critério é gostar do personagem e me identificar com alguma característica. Claro que, em segundo plano, eu levo em consideração a dificuldade, o tempo e o custo para se fazer o cosplay.
CB - Sua formação como designer gráfica é de alguma ajuda na hora de fazer seus cosplays ou a experiência conta mais do que o conhecimento técnico?
Lucy - Na verdade, sou formada tanto em projeto do produto quanto em design gráfico. Acredito que contribui, porque realizo trabalhos 2D e 3D tanto na vida profissional, quanto em meu hobby. Eu geralmente utilizo o programa CorelDraw para fazer moldes e finalizar alguns desenhos que, quando impressos, podem se transformar, por exemplo, na borboleta utilizada na apresentação de Yukari, do Paradise Kiss, ou mesmo nos cenários que utilizei na apresentação da Luluzinha. Experiência conta muito mas, se pararmos para pensar, alguém com formação próxima à minha também possui experiência que pode ser comparada à anos de cosplay, já que eu estou há alguns anos formada também.
CB - Sente que ter feito tantos anos de balé faz diferença nas suas apresentações?
Lucy - Com certeza! Apesar de que ainda tenho frio na barriga antes de qualquer apresentação (risos). O ballet/jazz/repertório clássico é expressão do corpo, é a transmissão de mensagem através do movimento. O ballet, e as outras aulas de dança, contribuiu para a melhor utilização do espaço do palco e da idéia de começo-meio-fim que é essencial para qualquer tipo de expressão. O movimento prende a atenção do público, e isso geralmente não é lembrado por alguns cosplayers. Claro que a criatividade é muito importante também, pois eu preciso ter idéias do que fazer e como fazer para poder usar o palco da melhor forma possível.
CB - Qual sua opinião a respeito dos concursos de representação por região, como o YCC, o YCC Internacional e o WCS?
Lucy - Cada vez mais existem novos concursos e estes, no caso, estão crescendo e se tornando importantes para a divulgação do cosplay e do reconhecimento das pessoas que se expressam através desse hobby. O YCC começou muito bem, com uma boa estrutura e organização que geralmente não se encontra numa primeira edição de algum concurso do gênero. O YCC Internacional tem tudo para dar certo e eu estou muito ansiosa e feliz por ter sido convidada a fazer uma participação. Com certeza, esse concurso tende a ser muito melhor na próxima edição! O WCS é mais show que concurso, se assim posso dizer, mas tem crescido muito, principalmente aqui no Brasil, que contou com muitas outras duplas na eliminatória anterior e contará com muitas outras mais na próxima edição. Participei de uma eliminatória e senti um clima muito agradável entre os competidores, o que me traz a opinião de que esse tipo de concurso tende a ser uma grande diversão para todos e possui um clima geral de confraternização entre pessoas que compartilham do mesmo hobby.
CB - O que você acha da repercussão que esses concursos atingem? Lucy - Acredito que a repercussão desses concursos que envolvem diversas cidades, estados e até países tende a crescer, da mesma forma que a participação de outros cosplayers até agora afastados de concursos, ou que não se importavam tanto com o assunto. Espero, sim, que eles continuem crescendo e que, quem sabe um dia, a mídia divulgue-os de forma íntegra, passando a idéia geral que cosplay não é coisa de “maluco”, mas sim de pessoas “normais” que gostam de algo teoricamente “diferente” para a população em geral.
CB - Acha que a proliferação de concursos de alto nível como esses estimula tanto novatos como cosplayers mais experientes a fazerem cosplays e apresentações melhores?
Lucy - Com certeza! Os cosplayers que até o momento estavam afastados, ou não se interessavam por concursos podem se sentir motivados a participar desses novos concursos, pois divulgação é alma do negócio (risos). Alguns podem até sentir um pouco de receio no começo, mas cada vez mais percebemos novos cosplayers conseguindo vagas nesses concursos, porque acreditaram em seu potencial e se esforçaram para mostrarem o seu melhor. Com isso, todos nós ganhamos, porque as apresentações e os concursos ganham qualidade, e os cosplayers e o público conseguem se divertir muito mais.
CB - Como se sente com o ótimo resultado obtido no Circuito Cosplay e a conquista da vaga no YCC?
Lucy - Eu realmente queria essa vaga, e queria conquistá-la logo de cara, no Anime Fantasy. Essa era uma idéia que vinha martelando na minha cabeça desde o começo desse ano, quando, infelizmente, não consegui uma vaga para o concurso anterior. Foi uma pena, mas senti que eu ainda não estava preparada. Amadureci e firmei um objetivo, que me deu forças para concretizá-lo. O Circuito também é muito importante para mim e estou apostando minhas fichas da melhor forma possível. Não somos perfeitos, mas tento fazer o meu melhor, mesmo quando não sou reconhecida num concurso, porque o reconhecimento maior vem dos meus amigos e outras pessoas que, com palavras, me dão forças para continuar. Tudo tem sido muito mágico e mais parece um sonho do qual não quero acordar! Estou realmente me esforçando e espero continuar fazendo meu melhor para a diversão do público e, principalmente, para mim mesma!
CB - Na sua opinião, qual foi a causa de tão poucos cosplayers no dia que rendia pontuação dobrada para o Circuito Cosplay no AnimeFantasy/CosplayCon?
Lucy - Pensei em algumas hipóteses logo quando percebi isso no evento: boicote, desânimo, coincidência de não terminarem os cosplays ou compromisso externo. Sinceramente, essas quatro hipósteses giram na minha cabeça até o momento, mas eu ainda não cheguei a uma conclusão, mesmo porque isso envolve pessoas com as quais não converso, outras que sequer conheço, como cosplayers novos, e até a impossibilidade de prever ações. Afinal, não tenho bola de cristal. (risos) De qualquer forma, se tivesse sido algo programado pelos cosplayers de não participarem, essa notícia teria chegado aos meus ouvidos, e de muitas outras pessoas, porque informação no mundo cosplay corre rápido demais, tanto as boas quanto as ruins. Acredito mais na idéia de que é difícil participar de dois circuitos consecutivos, sem poder repetir cosplay, por que o trabalho de participar num só circuito é enorme e realmente desgasta, tanto psicologicamente, quanto financeiramente. Espero que essa seja a oportunidade para os novos cosplayers mostrarem seu talento e que o circuito só continue a crescer!
CB - Quais são seus planos, tendo em vista essas novas conquistas?
Lucy - Eu já tenho planos fechados até o Anime Friends 2008. Para o Circuito 2007/2008, eu pretendo fazer personagens de anime/mangá, comics e infância dos anos 80. Claro que não vou revelar meus segredos (risos). Os cosplays para o Ressaca Friends 2007 e Anime Dreams 2008 já estão quase prontos, alguns faltando apenas o acabamento e o restante, vou buscar na costureira na metade desse mês. Contudo, (né!) eu ainda estou em dúvida sobre qual cosplay fazer para o YCC. Estou entre uma mulher de anos e anos, maquiavélica até o último fio de cabelo, um robô ultra-gigante (ohhhh! Mas eu não curto muito armaduras) e uma coisa super peluda e muito “cuti-cuti”. Claro que o lado “cuti-cuti” está com certa vantagem, porque acredito que tudo que é rosa e fofo ainda dominará o mundo!
CB - Que conselho daria para alguém que está começando e quer atingir o mesmo patamar em que você está agora? Lucy - Calma e paciência são palavras simples, mas de grande importância quando alguém quer fazer o melhor e atingir resultados. Cosplay é um hobby, e talvez no começo possa existir certa confusão de prioridades e do que realmente é o melhor a se fazer a si mesmo. Tristeza e decepção podem aparecer se você ainda não entendeu o significado real de se fazer cosplay. O cosplay deve ser feito para sua própria diversão, e aproveite as apresentações para realização própria, porque o reconhecimento e o aplauso vêm como conseqüência! Pode demorar, ou até mesmo parecer que nunca vai chegar, mas acredite que se você se olhar no espelho com o cosplay e der um sorriso vale muito mais do qualquer troféu ou prêmio já conquistado. Sinta-se bem consigo mesmo que as outras pessoas se aproximarão e o elogiarão.
CB - Para terminar, o que você gostaria de dizer para quem está lendo essa entrevista?
Lucy - Primeiramente, quero agradecer a todos que, direta ou indiretamente, estão me ajudando a ser quem eu sou e a tudo que eu tenho conquistado! Vocês são muito importantes para mim e, graças ao destino, foram colocados na minha vida. Segundo, que ainda terão que me agüentar por um tempo, porque ainda tenho planos fofos de dominação do mundo (risos). Para finalizar, peço a todos que continuem fazendo o que gostam e se expressando através dessa forma de arte que é o cosplay, apesar dos obstáculos enfrentados todos os dias, porque são esses obstáculos que nos fazem mais fortes para que nos tornemos pessoas melhores.
Entrevista por Duo-chan Maxwell
Revisão por June [Tenchuu]
Edição por Miyazawa |
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| Atualizado em ( 25-Set-2008 ) |
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