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Jovens, universitárias e talentosas cosplayers. Essas são Iara Queiroz (Mei), 20, e Natália Lima (Nati), 19. Amigas há cinco anos e parceiras de duplas há dois, foram finalistas também da classificatória nacional do World Cosplay Summit 2007. Novamente classificadas para a final, essas simpáticas representantes da etapa do Ceará, contam-nos mais sobre a experiência passada e as expectativas para esse ano.
CB - Como e quando conheceram o mundo cosplay? Qual foi o grande fator que levaram vocês a se tornarem cosplayers?
Mei - Eu o conheci em um aniversário de 15 anos de uma amiga, que era temático. Todos deviam ir de Cosplay, mas eu não sabia o que seria isso. Então, uma amiga chegou e disse: "Toma, essa roupa é da personagem Kagome de Inu-Yasha". Faz uns quatro anos, e eu não sabia do que se tratava, mas aceitei a roupa e a usei no aniversário. Depois disso, fiz uma roupa de Kagome pra mim, porque tinha amado usar aquela roupa e ver todo mundo vestindo algum personagem. Então, comecei a me interessar por Cosplay. Dois anos depois, eu e Nati estávamos juntas no nosso primeiro Cosplay “elaborado”, que foi de The King of Fighters, que nos deixou conhecidas aqui como “KoF Girls” e que nos fez ter vontade de continuar a fazer Cosplay.
Nati - Eu conheci o cosplay quando reencontrei a Mei num evento, e ela estava treinando para uma apresentação de luta com mais duas meninas,para um cosplay de The King of Fighters, e eu adorei a idéia de representar um personagem de um jogo de luta do qual eu gostava e me juntei ao grupo. Cosplay me interessou porque era uma chance de me tornar um personagem que eu admirava ou gostava. É como se eu pudesse me encontrar com ele e conversar, como se ele se tornasse um amigo.
CB - De onde surgiu a iniciativa de participarem da eliminatória da etapa brasileira do WCS? Como foi feita a preparação para o concurso?
Mei – Assim que passou o SANA 6, no qual tínhamos ganhado com KoF Girls, soubemos de um “campeonato mundial", como ouvimos falar. E vimos que os brasileiros, Psy e Mônica, haviam ganhado, e pensamos: "Por que não tentar?". Os cosplayers aqui ainda eram muito poucos e nem havia seletiva no Ceará! Mas, junto com um organizador do SANA, batalhamos muito e conseguimos trazer a etapa pra cá.
A preparação foi dura!! Muito pesada, literalmente falando. Queríamos interpretar Cloud e Sephiroth, mas não queríamos fazer uma luta simples e pronto. Então passamos a treinar o corpo diariamente. Fizemos aulas de Kung Fu e aprendemos coreografias com espadas. A Nati ganhou músculos para ficar mais parecida com o Cloud. Nossas espadas pesavam muito, eram feitas de madeira resistente, para não quebrarem na hora errada. A surpresa foi que todo o esforço valeu a pena!! Ganhamos e participamos da final brasileira de 2007! Não fomos para a final mundial, mas não desistimos! Neste ano, resolvemos tentar de novo. Tivemos muitos problemas, nossos cosplays não ficaram prontos a tempo, então, tivemos que usar Yue e RubyMoon, os mesmos da final do ano passado.
Nati - Após a primeira apresentação de cosplay que fizemos, eu e o grupo de KOF começamos a pensar em que outro cosplay iríamos fazer. Uma das meninas sugeriu Angel Sanctuary, e começamos a pesquisar sobre os personagens, o que nos levou ao vídeo da apresentação do Maurício e da Mônica na final mundial do WCS no Japão e assim conhecemos o concurso. O fato de o Brasil ter sido campeão no primeiro ano de que participou realmente nos deixou empolgadas!
Daí, formamos a dupla e procuramos personagens. Em 2007, fizemos Cloud e Sephiroth de “Final Fantasy VII” para a etapa regional, e representamos Yue e Ruby Moon de “Card Captor Sakura” para a etapa nacional. Em 2008, começamos a desenvolver outro cosplay para a etapa do SANA, mas estávamos em época de Festas e todo o serviço de que precisávamos estava em recesso. Daí, passamos para o plano B: usar um cosplay que já estivesse com a roupa completa e reformular a apresentação. Reformamos Yue e Ruby Moon e criamos uma apresentação nova.
CB - Qual foi a reação de vocês com o resultado?
Mei - Nós não acreditamos!!! Realmente, não esperávamos ganhar!! Estávamos pensando em um cosplay há 6 meses e, na última hora, o costureiro não nos entrega a roupa. Então, simplesmente pensamos em como íamos sair dessa. Reformulamos a apresentação de Yue e RubyMoon e praticamente não ensaiamos! A gente tinha combinado de ensaiar três vezes, pelo menos (porque só resolvemos fazer Yue e RubyMoon duas semanas antes) e minhas asas quebraram exatamente três dias antes do evento! E não tinha como consertá-las...eu lembro que sentei e chorei, e meu pai me disse: "calma, vai dar tudo certo" e então pegamos ferro, massa epóxi e fizemos um conserto improvisado na asa. Mal tivemos um dia pra ensaio. Então, saiu tudo na hora. Improvisado. Estávamos preparadas pra tentar a etapa de Recife.
Nati - Eu fiquei surpresa, de fato. Tivemos pouco tempo para desenvolver tudo e ensaiamos bem menos que eu gostaria, além de os cosplayers concorrentes estarem bastante bem caracterizados. Acho que o pouco de experiência que temos ajudou bastante, mas a ajuda dos amigos foi fundamental.
CB - Vocês foram a primeira dupla brasileira a ganhar vaga para a grande final brasileira do WCS 2008, o que significa que terão mais tempo para se preparar do que as demais duplas. Acham que isso pode ser benéfico de alguma forma?
Mei - Esperamos que sim. No ano passado, fomos umas das últimas, o que nos deu dois meses apenas para pensar, confeccionar e coreografar um cosplay como Yue e RubyMoon. No dia da apresentação, ainda estávamos colando penas! Neste ano, porém, teremos mais tempo, vai ser melhor fazer tudo com mais calma.
Nati - É uma grande vantagem, teremos bastante tempo pra desenvolver tudo e treinar muito até a apresentação ficar perfeita. Se ocorrer algum incidente, teremos tempo de consertar. A correria pela qual passamos até a primeira etapa até compensa!
CB - O que têm a dizer sobre diversão e competição no mundo cosplay? Em qual das duas facetas acham que se encaixariam melhor?
Mei - Eu realmente me divirto muito fazendo cosplay, na verdade, nem o faria se não o achasse divertido. Mas acho que quem fala que faz cosplay só pra se divertir e competição não existe ou coisa assim usa isso como desculpa por não ganhar prêmios. Para mim, competição é fundamental e eu realmente gosto disso, me faz querer dar o melhor de mim, passar mais tempo bolando idéias novas, coreografias novas. Agora, quando eu falo sobre competição, é competição saudável, em concursos, em que os cosplayers disputam no palco para serem os melhores. Não sou a favor de briguinhas e de qualquer tipo de rivalidade que exista, e que é muita!
Acho que competição é necessária sim, faz todos evoluirem. Em qualquer área.
Nati - Cosplay é, com certeza, um dos hobbies mais divertidos! Todo o processo de criação e desenvolvimento de um cosplay exige dedicação, mas vale muito a pena. Apresentar nos concursos faz parte, e competir com outros cosplayers é sempre uma experiência boa, se aprende bastante. Por mais acirrada que seja a disputa, é sempre divertido.
CB - Qual a opinião de vocês sobre concursos como o WCS e YCC?
Mei – Particulamente, eu amo o WCS. É uma grande confraternização de cosplayers, todos querendo ser o melhor, óbvio, mas todo mundo se ajudando. No WCS, fiz amizades para a vida toda, principalmente com o Vingaard, do Rio, e o Allan, de Recife. E tive oportunidade de evoluir bastante, conhecendo cosplayers muito bons e trocando experiência com eles. Já da YCC, eu não participei ainda, mas também é uma ótima oportunidade, esse ano irei tentar.
Nati - Adoro a idéia de um concurso mundial que tenha como tema o Cosplay. É como se fosse as Olimpíadas, porém, com um assunto de que eu gosto, e não tenho que treinar durante anos para conseguir participar. A união de várias pessoas de lugares diferentes em torno de algo de que gostamos tanto é maravilhosa.
CB – O cosplay está conquistando seu espaço na sociedade brasileira, um bom exemplo disso foi a presença de cosplayers no desfile da escola de samba Porto da Pedra, do qual você, Mei, participou. Como vêem esse reconhecimento?
Mei - Esse reconhecimento está vindo aos poucos, acho que aos poucos as pessoas vão deixar de pensar que Cosplay é coisa de criança ou de gente que não tem nada pra fazer, e sim, uma arte mesmo, que mescla teatro (atuação), produção, mixagem, etc. Vão ver que Cosplay é um hobby, como muitos outros por aí.
Participar do desfile da Porto da Pedra foi inacreditável! Não tem como descrever como é estar de cosplay na maior festa popular do mundo!! Só tenho a agradecer ao Vingaard e a Yuki pelo convite.
Nati - Bom, é uma parte da cultura japonesa no Brasil, e é ótimo que seja reconhecida por quem não é do ramo. Se o cosplay se tornar algo mais conhecido, talvez o preconceito diminua. Geralmente, as pessoas temem e rejeitam o que não conhecem, e cosplay pode parecer uma coisa bem sinistra, já que muitos animes têm lutas e personagens estranhos. As pessoas precisam conhecer o outro lado.
CB – Como são tratados os cosplays nos eventos do Nordeste?
Mei - Os eventos no Nordeste estão crescendo bastante. Neste ano, o SANA Fest deu uma atenção especial aos Cosplayers. Fomos muito bem tratados em todos os aspectos. A Helena, organizadora da parte do Cosplay, estava sempre atenta para tirar qualquer dúvida nossa. O evento teve camarins individuais e podíamos contar com a ajuda de qualquer pessoa do evento. Só tenho a agradecer também ao pessoal do SANA.
Nati - Melhora a cada ano e a cada evento. O cosplay é algo mais recente aqui do que nos estados do Sudeste, por isso temos ainda muito a conquistar, mas os grandes eventos já dão bastante destaque ao cosplay, e a maior prova disso são as etapas do WCS que ocorrem aqui.
CB - É bem provável que, depois da vitória desta etapa do WCS, vocês passarão a ser referência para muitos cosplayers, principalmente os nordestinos. O que têm a dizer para quem está pensando em começar agora no universo cosplay?
Mei - O que a gente sempre diz para quem tá começando é "Vá em frente". Quando começamos, éramos as mais desacreditadas. Diziam para quem quisesse ouvir que nunca ganharíamos nada. E eu me lembro de quando ganhamos a etapa local do WCS, ano passado, a Nati falou no microfone: "Nunca desistam"; e isso me emociona até hoje. Em qualquer lugar, você sempre vai ouvir muita coisa, desde aplausos e elogios até vaias. Mas o importante é ter a cabeça no lugar, fazer o seu melhor, e ganhar ou não é resultado do seu esforço e nada mais.
Nati – (risos) Eu adoraria ser referência em algo de que gosto tanto de fazer
Quando se faz um cosplay, sempre há mais alguma coisa pra trabalhar nele, mesmo quando terminado. Ë um pouquinho trabalhoso, mas se você tem uma boa idéia ou uma paixão por um personagem, ou por um anime ou mangá, por que não representá-lo? Eu achava que ia morrer de vergonha, mas quando subi no palco pela primeira vez, não parecia que tinha mais ninguém lá além do meu grupo. Não é tão assustador e é bem mais divertido do que parece.
CB – Agora, deixem um recado para os freqüentadores do site Cosplay Brasil.
Mei - Oi pessoal! A gente só tem que agradecer a vocês, que leram isso tudo (risos) e obrigada pelo apoio. Estaremos lá na final brasileira dando o nosso melhor. Obrigada!
Nati - Não tenha vergonha de fazer cosplay, mesmo que não se pareça muito com o personagem ou que alguém diga que é impossível, que vai ficar péssimo. Não deixe críticas te deixarem para baixo, faça com que elas te ajudem a melhorar. É importante ter bom humor, boa vontade e bom senso para aproveitar o melhor do cosplay. Mas antes de tudo, se divirta!
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