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Representando Manaus, o estudante de design Rege Dantas, de 18 anos, fala um pouco sobre cosplay e sobre a conquista da vaga para a final da YCC. Novato nas apresentações, ele mostra que ainda tem muitos planos pela frente, como participar do WCS.
CB - Há quanto tempo você faz cosplays? E há quanto tempo participa de concursos?
Rege - Eu comecei a fazer cosplay com 15 anos, no evento Animazon no Taikai. Participar, mesmo, foi no ano passado, porque os concursos não vinham muito pra Belém. Acho que a divulgação dos cosplayers daqui era bem pequena, mas, mesmo assim, existe muita gente competente.
CB - Qual a importância que você dá a eles?
Rege - É bom para a evolução dos próprios cosplays, sabe... A pessoa se sente mais entusiasmada com isso e também surgem novos horizontes, além de saber que o cosplay está levando você pra algum lugar e que seu dinheiro não está sendo gasto em vão. Mas também tem seus pontos negativos. Competições, às vezes, deixam uma pessoa alienada. Você perde a razão primária do que é fazer cosplay (que é apenas se vestir do personagem e se divertir)... Bem, pelo menos comigo é assim. A pessoa também está sujeita a críticas, muitas críticas, o que pode ser ruim. Se não tiver jogo de cintura, acaba tendo problemas.
CB - O que te leva a escolher um personagem para fazer cosplay?
Rege - Bem, é engraçado... Os personagens que escolho são fisicamente bem diferentes de mim. Mas também são parecidos, às vezes. Eu me interesso mesmo pelos galãs e vilões. Eles são mais a minha cara! Também gosto de personagens que perdem toda hora... não sei por quê! A roupa também me atrai muito nos personagens. É sempre bom ter um desafio. Caramba, são tantas coisas! Também tem os cabelos espetados, os grandes... Não sei, mas me atraem de alguma forma. Em geral, são aqueles que eu olho e penso: Quero ser forte e bonito assim!
CB - O que mais gosta de fazer em um cosplay? E o que menos gosta?
Rege - O que eu gosto mesmo é de preparar TUDO! É tudo tão legal! As idas ao comércio, pegando sol e chuva, a corrida atrás do material mais barato (sou bem "mão-de-vaca")... Depois chego em casa, admiro o tecido e mando pra costureira, mas então fica pronto, ela errou toda a roupa e tenho que consertar com as próprias mãos. Tudo em cima da hora! Minha vida é uma desgraça (risos)! Eu acabo fazendo tudo! As perucas chegam erradas e eu conserto de alguma forma mágica. Gosto muito de fazer penteados e maquiagem, só não me comparem com cabeleireiros, por favor (risos)! O que eu menos gosto é de usar cola quente. A pistola sempre me deixa com bolhas nos dedos!
CB - Onde você vive há condições favoráveis pra se fazer um cosplay? Por "condições favoráveis" entende-se bom público, apoio de eventos, facilidade na confecção, etc.
Rege - Apoios aos eventos nós temos na medida do possível (quem estiver lendo isso, por favor, tragam o WCS pra cá!). Aqui tem muitos cosplayers bons mesmo! Meus amigos me apóiam muito. Sempre nos reunimos pra fazer cosplays e "bater cabeça" com certos projetos. Em relação aos materiais, aqui temos muita facilidade de encontrar, mas peruca mesmo não tem não. É sempre pela Internet.
CB - Fale para nós um pouco sobre o cosplay que lhe deu a vaga para a grande final do YCC 2008.
Rege - Bem... O Sesshoumaru foi meu primeiro cosplay sério, mesmo. Eu me lembro que a primeira vez que eu fiz foi um desastre. A segunda, pior; a terceira, também. Só foi melhorar na quinta vez, quando eu viajei pra Manaus. Batalhei muito, mesmo, pra chegar nesse Sesshoumaru final, mas ainda não ficou da forma que eu queria. Bom, sou homem e o cara é andrógeno, o que já é uma grande dificuldade... mas nada que eu não pudesse disfarçar. Gosto muito do personagem pela personalidade, pelo jeito sereno e pelo fato de ele ser o vilão (risos)! Ele foi uma das minhas melhores escolhas, e adorei o fato do meu primeiro cosplay ter me levado pra essa final.
CB - Qual a situação mais inusitada pela qual você já passou enquanto usava um cosplay?
Rege - Já me beijaram porque eu tava com um certo cosplay. A louca saiu gritando, dizendo que tinha realizado o sonho de ficar com o personagem favorito. Também teve um evento para o qual eu não fiz o cosplay fácil de ser tirado rapidamente. No momento de aperto, não deu pra segurar e fiz xixi no cosplay, mesmo. Essa queimou muito o meu filme, mas tudo bem... Já fiquei madrugadas surtando com cosplays, com vontade de quebrar tudo... Já fiz grupos enormes que foram as melhores coisas que já aconteceram na minha vida, pois me levaram a ter grandes amigos. Cosplay leva a fazer cada amizade doida, né? Sair na rua de cosplay e escutar xingamentos também é adrenalina pura! Não posso me esquecer de quantas vezes tive que passar ovo no cabelo...
CB - Quais suas ambições como cosplayer?
Rege - Realizar o sonho de fazer todos os personagens de que gosto (sonho impossível!), participar de um WCS (o que não tem aqui) e, claro, ser reconhecido. Não como um bom cosplayer, mas sim como alguém que lutou muito pra chegar lá.
CB - Até que ponto o cosplay deixa de ser hobby e passa a ser competição?
Rege - Quando se criam rivais e quando sua ambição chega a um ponto de querer vencer todo mundo. Ainda não cheguei a esse ponto, e nem quero.
CB - Costuma viajar para outros lugares, a fim de participar de concursos?
Rege - Não, dessa vez foi tudo um acaso. Belém ganhou uma vaga para o YCC, mas quem a levou foi a participante Akemi, que, por sinal, é uma ótima cosplayer. A vontade de ter um participante paraense nesse concurso foi tão grande que levou vários otakus e cosplayers a fazerem um evento próprio. Ele foi um sucesso e muito bonito, e com o dinheiro nós mandamos 3 cosplayers de Belém pra concorrer em Manaus (eu era um dos 3). Conseguimos levar pelo menos uma das duas vagas disponíveis, por isso é muito importante minha participação nesse concurso. É pela força de todos os meus amigos, que deram tudo de si pra ter um representante daqui.
CB - Fale-nos sobre sua preparação e expectativas para a final do YCC.
Rege - Sou calouro nesses concursos, portanto estou com medo, mas, ao mesmo tempo, ansioso. Não vou fazer nenhuma super produção. Acho que o concurso de cosplay tem que mostrar a atuação do cosplayer, pra ver se é compatível com o personagem. Vou tentar passar pro público a emoção do personagem e a emoção de estar ali em cima.
CB - Com a crescente publicidade que o cosplay vem ganhando, a cada dia surgem novos adeptos. O que você tem a dizer para quem ainda está entrando nesse mundo de fantasias, literalmente?
Rege - Cosplay é uma arte. Eu apóio todo mundo que faz cosplay, porque é uma das coisas mas divertidas que pode acontecer a uma pessoa. Você faz amizades, aprende coisas novas e ganha mais um passatempo que, no futuro, pode até virar uma coisa de que você pode se orgulhar. Claro, precisa de muita dedicação e uma mãozinha no bolso, mas nada que mate alguém. Melhor do que gastar o dinheiro com drogas e festas, né? Faça como eu, volte andando pra casa sempre, pra economizar dinheiro pro cosplay, que vale a pena. E você ainda fica em forma pro futuro cosplay (risos)!
CB - Faça suas últimas colocações e deixe um recado para nossos leitores.
Rege - Eu agradeço primeiramente à Yamato, por ter nos dado essa chance de mostrar um pouquinho do nosso trabalho, e agradeço também a todos os meus amigos que ralaram pra eu estar aqui; aos leitores, que devem ter me achado uma pessoa bem anormal (eu sou anormal, mesmo, risos)... acho que é isso que torna alguém especial. Todo mundo tem um pouco disso.
Revisão por: Miyazawa |