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Carolina Polido, 23, mais conhecida no meio otaku como Carol-chan, é uma das novas cosplayers ‘top’ despontando nos eventos, com participações em concursos importantes como as eliminatórias do World Cosplay Summit (WCS) e finais da Yamato Cosplay Cup (YCC). Na entrevista cedida ao Cosplay Brasil, Carol-chan fala um pouco de si, sobre sua ascenção no ‘mundo otaku’ e também sua visão sobre os concursos.
CB - Você pode fazer um breve histórico sobre sua vida no cosplay?
Carol - De fato, é breve. Eu comecei a fazer cosplay no ano passado. A Hokuto, minha amiga, me chamou para tentar o WCS com ela. Eu sempre tive vontade de fazer cosplay, mas queria fazer algo mais simples, sabe? Mas não deu. Meu primeiro cosplay foi o de Princesa Esmeralda, de Rayearth. Então, participamos da eliminatória para o WCS no ano passado. Tentamos a primeira aqui no Rio, ficando em segundo lugar, e, logo em seguida, tentamos em São Paulo no Anime Party, conseguindo a vaga. Daí, depois teve a final do WCS.
E... ah, sim, o Anime Family! A Hokuto me convenceu a participar, daí eu acabei aceitando. Decidi me apresentar para me despedir do cosplay da Esmeralda e acabei ganhando! Então, agora estou na final do YCC.
Meu segundo cosplay é de Himemiya Anthy, de Utena, também para a eliminatória do WCS (idéia da Hokuto).
CB - Quais seus critérios para escolher um personagem para fazer cosplay?
Carol - Eu tenho que gostar do anime ou mangá e também do personagem. Hoje eu adoro a Esmeralda! Mas, se eu não gostar do personagem, não adianta.
Eu ia fazer o cosplay da Juri, de Utena, só para ter apresentação para o WCS, mas não rolou. Não dá pra fazer algo por fazer.
CB - Você percorre quais etapas depois de escolher o personagem?
Carol - Depois que eu decido finalmente qual cosplay quero fazer, eu estudo sobre ele. Vejo o anime mil vezes; vejo como o personagem fala, o que fala, quando fala; tento pegar o jeito, sabe? Se der certo, daí eu parto para a roupa. Essa parte é bem complicada, mas muito divertida! Demora um pouco para você achar as coisas. São várias idas ao Centro, a Madureira, a Nilópolis, até ajeitar tudo. Aí, depois vêm os ensaios, que é a parte que mais gosto. Para o cosplay da Esmeralda, nós ensaiamos dois meses direto, praticamente todos os dias! Cansativo, mas legal.
CB - Você faz faculdade de Letras com formação para Japonês. Enquanto para nós tudo é lindo, você repara muitos erros nas apresentações alheias?
Carol - Olha, tem algumas coisas erradas, sim, mas, poxa, quem liga? Eu reparo na interpretação, nas roupas, nas idéias que tiveram. Porém, ficar reparando se fulano está falando corretamente, não. Mesmo porque eu não concordo com apresentações em japonês
CB - Por que não?
Carol - Poxa, o público não fala japonês! Ninguém entende nada do que você fala. E para quê? Fica bonito, é claro, mas sem propósito. Eu acho que as apresentações do WCS acabam sendo para "juiz ver", sabe?
Eu adoraria fazer minha apresentação de Rayearth em português. De Utena também. Mas, aí, você ouve que "seria melhor fazer em japa". Para não corrermos risco, fazemos em japonês.
CB - Mas, você sabendo japonês, não acha que tira algum proveito por isso no WCS?
Carol - Ah, tiro, sem dúvida. Depois de três anos sofrendo lá na faculdade, eu tinha que tirar algum proveito! (risos)
Nós cuidamos muito das nossas falas. Revisamos várias vezes, ficamos treinando pronúncia... Tem uma fala minha na apresentação de Utena que eu tive que gravar inúmeras vezes, porque a pronúncia estava muito carioca. Daí, o resultado é satisfatório. Agora, nós temos todos os recursos porque estudamos na faculdade, mas e quem não estuda? Poxa, nem todo mundo quer ou pode estudar japonês formalmente.
E você obrigar uma pessoa a se apresentar numa língua que não é a sua... Covardia, né?
Isso é o que eu gosto do YCC. É obrigatório ser em português.
É fácil você falar qualquer coisa sem sentido em japa, né? Ninguém vai entender nada! Ótimo para quem não tem o que falar! Em português, vai estar todo mundo prestando atenção! Tem que ter um roteiro bom.
CB - Já que você tocou no assunto, WCS ou YCC? Você poderia compará-los, dizendo as expectativas para cada um?
Carol - Olha, esse YCC me pegou de surpresa; eu nunca esperava participar!
CB - Por que não?
Carol - Porque eu fui ao Family para dizer adeus ao cosplay e acabei indo para a final! isso foi um susto! O pior foi que a Hokuto me enganou: ela falou que era só uma apresentação. Mas não! Tem o livre também! Eu estou desesperada aqui!
Mas sobre o WCS e YCC: o WCS é legal porque você tem chance de ir ao Japão competir com pessoas do mundo todo. E o melhor: é em dupla! Eu não me vejo sozinha fazendo cosplay, sabe? Quando a Hokuto e eu sentamos para discutir cosplay, eu venho com idéias malucas e impossíveis. E ela sai me cortando; no final, fica uma apresentação legal.
Mas o YCC é individual! Quem vai me cortar? (risos)
Daí, eu estar um pouco nervosa! Mas eu estou contente por estar na final. Os eventos da Yamato são muito organizados. Eu sei que estarei numa final agradável e justa.
CB - Mas suas apresentações são boas, mesmo as individuais. Inclusive, você já foi muito elogiada tanto no CB quanto em eventos no tocante à sua interpretação. Você já fez aula de teatro, artes cênicas ou derivados?
Carol - Essa apresentação do Family foi a minha única individual até hoje. E não foi muito difícil fazer, porque a Esmeralda é uma pessoa desesperada e naquele dia eu estava desesperada por estar entrando no palco sozinha. Aquilo era eu mesma! (risos)
Mas não. Eu sou muito tímida para fazer teatro.
CB - Em apresentações de cosplay, vemos muito uso de cenários, efeitos especiais, etc. Baseada na sua excelente interpretação, você acha que os cosplayers estão priorizando o cos em detrimento do play?
Carol - Eu estava até falando com a Hokuto um dia desses: esse lance de cenário fica muito bonito, é muito legal usar, mas desde que tenha um propósito! Ter por ter... eu particularmente não gosto de usar, devido à minha triste experiência na final do WCS (o cenário caiu na minha cabeça; nunca vou esquecer isso).
Nós íamos usar agora com Utena, mas resolvemos tirar e melhorar nossa apresentação.
CB - Com pouco tempo de cosplay, como você vê a sua revelação súbita para o meio? Qual o segredo do sucesso de ter poucos cosplays e tantas conquistas, tanto em forma de prêmios quanto de apelo do público?
Carol - Ah, cara, acho que apelo do público não tem, não. Eu ainda sou muito desconhecida. Mas sobre as classificações e tal, nem sei explicar. Eu me dedico pacas ao cosplay (do cos ao play, principalmente ao play). Tanto que para o da Esmeralda, eu comecei a pensar em outubro numa apresentação que só aconteceria em fevereiro.
Se bem que acho que o cosplay da Esmeralda ajudou bastante. Ele é bem chamativo. Não é todo dia que alguém vê um par de ombreiras gigantes por aí!
CB - Por falar nisso, em duas eliminatórias para o WCS no Rio, você ficou em segundo, perdendo para duplas mais famosas. Você acha que o nome e a fama dos cosplayers interferem na decisão dos jurados?
Carol - Vai saber... Acho que se forem jurados dignos, não. Mas se não forem...
CB - E, no WCS, você acha que eles são dignos?
Carol - WCS é diferente.
CB - Como assim?
Carol - Ah... espero que sejam dignos...
CB - Bem, nos jurados do YCC você já disse que confia, então vou deixar para lá.
Pode nos dizer um "mico" memorável seu em alguma apresentação ou em algo relacionado a cosplay? Tudo bem que você já citou a queda do cenário na sua cabeça, mas caso se lembre de outro...
Carol - (risos) Acho que a espadada que eu levei na testa na apresentação de Utena! Outro foi ter que andar de Esmeralda em um shopping. Há momentos para se usar cosplay. (risos)
CB - Que pensa sobre cosplay ser por diversão e não por competição?
Carol - Olha, eu agora estou tentando ter isso em mente, porque, como eu te falei, eu sempre quis fazer cosplay, mas não conhecia ninguém para fazer comigo. Quando a Hokuto me chamou, não era para ir a evento e se divertir, sabe? Era para competir.
Então, até hoje eu só me meti em competições. Eu só fiz cinco apresentações na minha vida, sabe? Quatro foram para WCS, logo, competição.
Só teve uma vez que eu usei cosplay para me divertir. Foi lá em Valença, onde dou aula. Meu coordenador queria que eu usasse cosplay e eu só fiquei passeando pelo evento. Foi muito divertido! Só fiquei tirando foto e fazendo uma social,, sem ter a pressão de me apresentar e ir para a final do WCS. Foi muito legal! Mas, tirando isso, foi mais competição que diversão.
CB - Muito bem. Obrigado, Carol, pela entrevista. Qual seu recado final para os fãs e os leitores do Cosplay Brasil?
Carol - Façam cosplay! Não esperem o tempo passar! O processo é super legal! Até as apresentações, que, às vezes, são estressantes, são muito legais também! Se a Hokuto não tivesse me chamado, eu seria uma pessoa incompleta! Teria perdido tudo isso e me arrependeria depois. Então, façam logo seus cosplays!
Entrevista por - Vegecelo
Revisão por - Miyazawa
Edição por - Neo NiGHTS ®
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