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Cyndia Clay Rodrigues de Araújo Santos, ou simplesmente Cyndia, tem 21 anos e estuda Sistemas de Informação. Mais uma finalista do Yamato Cosplay Cup, essa sergipana nos conta, nesta entrevista, um pouco sobre sua relação com o universo cosplay. Confira!

CB - Conte-nos, como seu caminho se cruzou com os animes?
Cyndia - Rapaz, eu gosto de animes desde muito pequena. Via Cavaleiros do Zodíaco, Slayers, Shurato e Sailor Moon, entre outros. Por incrível que pareça, uma amiga do meu pai soube de um evento que haveria aqui em Aracaju, o HQ Festival; foi o primeiro evento de animação a que fui. Depois disso, peguei gosto e não parei mais!
CB - E com o mundo cosplay?
Cyndia - Nesse primeiro evento a que fui, o cosplay tava começando a se difundir aqui em Aracaju e achei interessante. No segundo evento a que eu fui, eu tinha uma roupa de colegial parecida com a de Kaolla Su de Love Hina, aí minhas colegas insistiram que eu fosse com a roupa. Uma delas estava até fantasiada, o que me encorajou mais. Daí, gostei de fazer cosplay e não consegui mais parar!
CB - Quais cosplay já fez? Dentre eles, qual é seu preferido e por quê?
Cyndia - Foram vários, alguns só de brincadeira, mesmo: Kaolla Su, Grande Saiyaman (Videl), Ranma, Shishio, Shadow the Hedgehog, Koto (Yu Yu Hakusho), Wanda (Padrinhos Mágicos), Mística (X-Men), Zelda... são esses de que eu lembro! Meus preferidos, na verdade, são dois: o primeiro é o de Saiyaman, porque fiz em dupla e foi super engraçado; mas em questão de fantasia é o de Zelda, porque consegui fazer as roupas nos mínimos detalhes e vi que ficou muito bom. Isso me deixou feliz.
CB - O que você leva em conta para escolher um personagem pra "cosplayar"?
Cyndia - Primeiro, eu tenho que gostar do personagem, ser fã dele; gostar bastante do anime ou do jogo, dependendo da origem do mesmo. Depois, eu observo o seu porte físico, pra ver se combina comigo ou se tem como eu fazer e ficar parecido. Outra coisa: tem que ser um personagem dinâmico, que me dê alguma idéia de interpretação e também que dê pra fazer uma apresentação mais séria se eu for participar de algum concurso.
CB - Como se dá o processo de construção dos seus cosplays? Participa de todas etapas?
Cyndia - Participo de todas as etapas, sim, desde a parte de fazer moldes (caso tenha alguma armadura, ou algo do tipo), com a ajuda de meu namorado, até a parte dos detalhes e confecção de cenários, pinturas e outros trabalhos mais, sou eu quem faço. A parte de confecção da roupa (costura) é com minha mãe. Claro que tenho ajuda de amigos: caso eu empaque ou tenha algo que não saiba fazer, sempre tem algum amigo disposto a ajudar. Comprar feito é minha última opção. O que dá estímulo é apresentar com algo que você mesmo fez.
CB - Você teve alguns problemas durante a etapa aí. Fale-nos sobre eles.
Cyndia - O empecilho principal foi o tempo da apresentação. Houve um problema com a regra: eu achava que podia apresentar em dois minutos, só que estavam me dizendo que eu só podia ter um minuto. Aí, ficou uma confusão grande e eu ia acabar não apresentando, por opção própria. Mas meus amigos, da caravana, me incentivaram e foram falar com a coordenadora do concurso. Eles me disseram que, mesmo não conseguindo falar com ela, eles iriam dar um jeito de ajeitar minha música de fundo da apresentação para durar um minuto (isso horas antes da apresentação, lá no evento). Então, eles conseguiram falar com a coordenadora e explicaram o fato. Ela falou que eu poderia apresentar em até dois minutos, e que só seria desclassificada se passasse desses dois minutos. Então, apresentei tranquilamente em cerca de um minuto e meio; depois houve discordância e tentaram me desclassificar, porém foi um erro de comunicação deles. Eu não tive culpa, nem a coordenadora. Se ela me dissesse para apresentar em apenas um minuto, eu teria apresentado em um minuto. Nunca descumpri regras em eventos, por que descumpriria agora? Foi isso que ocorreu. Como eu já tinha sido declarada vencedora e não tinha culpa, eles deixaram minha vaga, mas abriram a vaga para o segundo colocado (para não haver prejudicados), que, por coincidência, era amigo meu, o Giovanni, também sergipano. Estou feliz por ter companhia lá de alguém conhecido.
CB - Concursos como o YCC (Yamato Cosplay Cup) e WCS (World Cosplay Summit) dão a possibilidade para que cosplayers, fora do eixo SP-RJ, se destaquem. Como você vê essas oportunidades?
Cyndia - É um incentivo e uma oportunidade, já que aqui no Nordeste há muitos cosplayers bons. Querendo ou não, isso é ótimo, pois valoriza o pessoal tanto daqui como de outras regiões a se esforçar mais e competir com cosplayers de alto nível de todo o Brasil.
CB - "A quantas" anda sua preparação para a grande final do YCC?
Cyndia - Trabalhosa, já que dessa vez escolhi um personagem (surpresa) meio complicado para confeccionar. Porém, eu o adoro e há muito tempo tinha vontade de fazê-lo; só faltava motivação.
CB - Como é o cenário cosplay no seu estado? Os eventos daí dão aos cosplayers o valor que merecem?
Cyndia - A concorrência aqui, de uns tempos pra cá, tem aumentado assutadoramente a cada evento. O pessoal está cada vez mais criativo, tornando a disputa muito difícil, porém saudável, já que todo mundo se conhece e é amigo por aqui (estado pequeno é bom por esses motivos!). Os eventos daqui valorizam bastante os cosplays; as premiações são fantásticas, dada a proporção dos eventos, mesmo com a dificuldade que eles encontram com patrocínio aqui em Aracaju, pois aqui no estado os eventos ainda não são tão valorizados. O pessoal que organiza faz porque gosta.
CB - O que tem a dizer sobre diversão e competição no mundo cosplay? Onde se encaixa melhor?
Cyndia - Primeiramente, faço um cosplay por diversão; competição é uma consequência. Competir, mas sem se divertir, não dá certo, tanto que adoro fazer cosplay em grupo e apresentações livres, porque eu me divirto muito. Acho que me encaixo nos dois, um pouco de cada, pois gosto tanto de brincar nos eventos quanto de fazer cosplay para ficar bem feito e competir.
CB - É bem provável que depois da vitória desta etapa do YCC, você passe a ser referência para muitos cosplayers, principalmente os nordestinos. O que tem a dizer para quem está pensando em começar agora no universo cosplay?
Cyndia - Primeiramente, faça sempre aquele personagem de que você gosta. Se combina com você, melhor ainda, pois fica mais gostoso e mais divertido interpretar um personagem assim. Outra coisa: empenhe-se bastante na hora de fazer a fantasia, não hesite em pedir ajuda, olhe sempre os detalhes, mesmo os mínimos, pois isso é que faz a diferença. E não esqueça: divirta-se bastante e nunca desista, por mais difícil que seja. Acredite na sua capacidade, que seu cosplay vai sair. Quanto a ser referência, que bom, vou estar sempre me empenhando e dando meu melhor; agora, eu sou igual a qualquer um, só tive um pouco mais de sorte de conseguir essa vaga!
CB - Alguma outra colocação que queira fazer?
Cyndia - Desejo boa sorte a todos que vão pra final do YCC e prometo ao pessoal daqui de Sergipe que vou tentar fazer meu máximo pra mostrar lá em SP que nós temos potencial, e, sem dúvida, espero que muito sergipano ainda "dê as caras" em futuras etapas do YCC. Vou me divertir bastante e adorar conhecer o Anime Friends, já que tinha muita vontade de ir e agora ganhei a oportunidade.
CB - Deixe um recado para todos que acompanharam sua entrevista.
Cyndia - Nossa, obrigada por terem tido paciência pra ler tudo isso, já que escrevi demais da conta! A gente "se bate" lá no Friends!
Entrevista por Marcus_Shikamaru
Revisão por Miyazawa |