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Entrevista com Dani
Escrito por Hatsumomo   
01-Mai-2008

Daniela Mayumi Matsuoka é mais uma finalista do YCC, selecionada no Atsuicon, em Vitória, Espírito Santo. Essa médica de 32 anos é cosplayer somente há três meses e já tem nove cosplays concluídos! Nesta entrevista, ela fala sobre sua pouca experiência com o universo cosplay, a conquista da vaga para o YCC e suas expectativas.

 

CB - Desde quando participa de concursos?
Dani - Desde janeiro desse ano. Eu não tinha pretensão de participar de concursos, mas por solicitação de uns amigos, acabei entrando no do primeiro evento a que fui. Depois desse, durante as minhas férias, quando estava em São Paulo, decidi em cima da hora participar das apresentações do Mercado Mundo Mix. O Atsuicon foi o meu terceiro evento e a minha terceira participação em competições.

Sakura-himeCB - Algo mais te inspirou para começar a fazer cosplay e se apresentar, além do incentivo dos amigos?
Dani - Confesso que a primeira vez foi só pela pressão externa, mesmo (risos). Mas logo que saí do palco, já me senti tão realizada com o reconhecimento do público, mesmo tendo sido algo completamente improvisado, que fiquei mais animada e impulsionada a fazer aquilo de novo, de maneira mais planejada, para que pudesse realmente fazer uma boa apresentação. Tirando isso, os meus amigos sempre me incentivaram, até me obrigam às vezes, como foi no Mercado Mundo Mix (risos). Na verdade, acho que o único concurso que eu, de fato, me programei para participar, foi o último. Assustador! (risos)

CB - Pra você, o que é mais gratificante ao fazer um cosplay?
Dani - Sinceramente, o sentimento mais gratificante é sair do palco com a sensação de dever cumprido. Saber que as pessoas que assistiram gostaram e se divertiram com a minha apresentação. Saber que cumpri o meu propósito é o que me deixa mais feliz.

CB - Fale um pouco sobre o cosplay que te deu a vaga na final da YCC.
Dani - Curiosamente, apesar de amar a personagem, os cosplays de Sakura-hime são os de que eu menos gosto, visualmente, em mim. Acho que ainda não me acostumei com a peruca, ou não consegui ajustá-la como gostaria, fato que pretendo mudar até julho (risos). A idéia inicial era participar do YCC com outro cosplay, outra personagem, mas quando percebi que não ficaria pronto a tempo, decidi mudar. Fazia tempo que eu já pensava numa apresentação com aquela música, e aquele traje já estava na minha lista de projetos, inclusive com os tecidos comprados. Então, só antecipei as coisas. É a roupa que ela usa num dos momentos de que mais gostei e me emocionei em Tsubasa Chronicles, então tem todo um sentido especial para mim.

CB - Pretende participar de outro concurso de grande porte, como o WCS?
Dani - Confesso que, no começo, quando comecei a acompanhar a trajetória de duas amigas queridas se preparando para o WCS, e depois, ao assistir à seletiva do Mercado Mundo Mix, eu fiquei um pouco tentada. Mas analisando friamente a situação, por enquanto não pretendo participar do WCS. É necessário, a meu ver, muito mais do que amor ao cosplay, mas amor incondicional à sua dupla (risos). É uma competição divertida, mas que gera muito estresse também, e eu ainda não encontrei a minha "cara-metade" para o WCS. No futuro, quem sabe? Como eu não programei nada do que vem acontecendo, muita coisa pode mudar!

CB - Já que você mencionou o estresse, o que você acha da competitividade no mundo cosplay?
Dani - Não conheço muito ainda desse universo, mas a competitividade do meio é algo notório. Confesso que a seriedade com que algumas pessoas levam as coisas me assusta um pouco. Não digo isso Kuchiki Rukiano sentido de responsabilidade com o seu objetivo, mas no sentido de competir além dos limites saudáveis. Acredito sinceramente que cosplay é um hobby e uma grande chance de confraternização. Claro que quando você se propõe a entrar num concurso, vencer é algo gratificante, mas creio que o estresse do preparo e da competição tem sempre que ser menor do que as coisas boas que vêm a partir daí: diversão, levar uma boa performance ao público, fazer amizades. Nos preparativos do Atsuicon, trabalhei bastante com uma grande amiga minha, que conheci através dos cosplays. Ela me ajudou muito, mesmo, e no fim das contas, estávamos nós duas no palco, entre os 3 primeiros colocados, sem saber ainda quem havia vencido. De verdade, sem um pingo de demagogia, se ela tivesse ficado em primeiro e eu em segundo, para mim, seria como se eu mesma tivesse ganhado. E sei que a recíproca é verdadeira. Não existe nada no mundo que valha isso.

CB - E o cosplay como profissão? O que acha disso?
Dani - Existe isso? Eu nem sabia (risos)! Bom, aí a história já é bem outra, não é (risos)? Só acho que eu gostaria de ter uma profissão assim também, além da que já exerço! A gente gasta para fazer cosplays, outros ganham por isso, não é um sonho? (risos)

CB - Você é formada em medicina. Alguma vez teve dificuldade em conciliar a profissão com o hobby?
Dani - É um pouco complicado, mesmo. Por questões de tempo livre, e também por questões éticas profissionais locais de menor relevância (risos). Eu não seria levada a sério, por exemplo, se o Pânico na TV tivesse conseguido me entrevistar no MMM! Mas, de uma maneira geral, ainda não houve nenhum momento de maior empecilho. Talvez a necessidade de sair do estado para participar de eventos durante a semana possa ser uma questão mais trabalhosa, mas acredito que não será impossível de ser resolvida.

CB - Falando em eventos, como são os de Vitória?
Dani - Os eventos em Vitória ainda são de pequeno porte. Não posso falar muito porque só fui a três eventos aqui, mas observo que, nos últimos meses, o público tem aumentado, assim como a qualidade dos eventos e o nível técnico dos cosplays. Temos sim, ótimos cosplayers, alguns de destaque nacional, como a Buru e a Ari, que participaram ano passado da final brasileira do WCS. Quanto à estrutura física dos eventos, particularmente, acho ainda relativamente precária, embora eu acredite que, com o crescimento do público, isso tende a melhorar cada vez mais, como também estamos observando nos últimos eventos. O que eu posso perceber é que as coisas, de uma maneira geral, estão mudando exponencialmente. E para melhor.

CB - Você está casada há quanto tempo? Seu marido te apóia e te ajuda com seus cosplays? Já pensaram em fazer cosplays juntos?
Dani - Estou casada há 3 anos. Meu marido é, na verdade, o grande responsável por eu amar cosplays. Ele sempre acompanha fotos em comunidades do gênero (leia-se aqui o fotolog/cosplay e similares). Ele não só apóia a idéia como me ajuda, e muito, na produção de peças e apresentações. O som fica sempre ao encargo dele. Além disso, ele é meu staff pessoal, meu fotógrafo, motorista, carregador de bolsas e malas, me dá perucas de presente (risos), me ajuda no palco e fora dele. É muito gratificante ver a felicidade e o orgulho dele quando me anunciam como uma das primeiras colocadas em algum concurso! Parece sempre que ele fica mais feliz do que eu mesma. Fico emocionada, de verdade! Mas nem tudo é perfeito... Ele é super tímido e tenho tentado arduamente convencê-lo a fazer cosplay comigo, mas está difícil!

CB - Qual a sua participação no processo de confecção dos seus cosplays?
Dani - Como uma boa pessoa inexperiente no assunto, eu preciso, e muito, da ajuda de cosmakers (Heleno, SakuraCibele e H), e da tia Graça, que faz as minhas roupas. Eu uso poucos acessórios, e alguns desses, os menores, eu mesma fiz. Costura já é algo mais complicado pra mim. Pequenas peças feitas à mão eu posso fazer perfeitamente, assim como bordados e aplicações, mas roupas eu ainda acho que vou depender da tia por muito tempo (risos). Porém, como ela não é especializada em fantasias e cosplays, eu faço questão de participar de todo o processo, inclusive com idéias de montagem das peças, escolha de aviamentos, modo de fechar a roupa, tecidos e tudo o mais. A gente sempre tem uma reunião de cúpula antes de iniciar um novo cosplay, para acertar todos os detalhes! Vou ao atelier dela quase todos os dias pra saber como as coisas estão, se falta alguma coisa, discutir outras... Enfim, na minha incapacidade de costurar, faço o que posso para participar o máximo possível do processo. Perucas são outro ponto complexo, mas a grande maioria compro no eBay, mesmo, ou peço para uma amiga confeccionar perucas estilizadas. Para os próximos, decidi tentar fazer o máximo que puder com as minhas mãos e ajuda dos meus amigos, que sempre torna tudo muito mais divertido.

CB - Gostaria de deixar algum recado para os leitores?
Dani - Gostaria de agradecer a todos que tiveram paciência de ler até aqui (risos). Para os novatos, não desistam e acreditem em si mesmos. Agradeço à Yamato pela oportunidade de participar de uma festa como essa. Também quero agradecer à comunidade CB, pela acolhida maravilhosa! Espero mesmo fazer um bom trabalho aí em Sampa em julho. Até lá, pessoal!

 

Revisão por Miyazawa

Atualizado em ( 12-Mai-2008 )
 
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