CosplayBr - Seu nome
Kim - Marcus Vinícius Almeida Souza
CosplayBr - Mora em
Kim - Americana, interior do estado de São Paulo
CosplayBr - Profissão, estuda o que?
Kim - Atualmente faço peças de cosplay por encomenda enquanto não encontro um emprego na área que eu quero (Televisão ou Cinema) e ocasionalmente apresento (juntamente com minha namorada) um programa de rádio na cidade Campinas. Faço faculdade de Comunicação Social com habilitação em Rádio e Televisão com previsão de término no final de 2006 (o curso tem duração de 4 anos).
CosplayBr - Qual foi seu primeiro contato com o anime e mangá?
Kim - Meu primeiro contato com a cultura oriental foi através de tokusatsus. Com 4 anos eu já assistia Ultraman, Changeman, Jaspion, etc... Anime eu só conheci quando Cavaleiros do Zodíaco foi exibido na TV Manchete (apesar de ter assistido vários na Globo sem saber que eram anime) e foi o suficiente pra eu virar fã. Mangá eu sabia que existiam, mas só tive acesso a eles mesmo quando comecei a mexer na internet (por volta de 1998).
CosplayBr - Qual foi seu primeiro evento?
Kim - Evento de grande porte, com concurso de cosplay e tudo mais foi a Animecon 2001. Mas eu já tinha freqüentado o 1º EuAnimeRPG, que na época eram só duas salas de exibição de anime.
CosplayBr - Como você conheceu o cosplay e como ele se transformou em um hobby para você?
Kim - Em 1999, eu tinha um site sobre anime e fazia curso de desenho então comecei a procurar revistas com referência pra desenho e sinopses de animes como conteúdo pro meu site. Foi então em uma revista Anime>Do que vi uma reportagem sobre o Animencontro em Curitiba. A partir daí comecei a pesquisar mais sobre o tema na Internet. Na verdade, desde criança eu tinha mania de tentar fazer armaduras como as dos Cavaleiros do Zodíaco em papelão e papel machê. Só muito tempo depois foi que eu descobri que essa minha fixação tinha nome e era um hobby bem popular.
CosplayBr - Você também já foi coordenador de cosplay em eventos em Americana. Conte um pouco sobre os problemas enfrentados assim como o lado positivo de ser coordenador.
Kim - O lado positivo é que você como coordenador tem a chance de por em prática algumas idéias suas que podem ser aproveitadas por outros eventos e isso contribui para a melhoria do hobby no Brasil. O concurso do 3º EuAnimeRPG foi bem comentado e acabou inspirando os concursos do Anime In Valley daquele mesmo ano, do primeiro FanMixCon e da primeira edição do AnimeFriends. O lado negativo é que na pele de coordenador você acaba levando a culpa por coisas que as vezes nem tem a ver com o seu trabalho. Eu queria muito ter dado prêmios melhores e oferecer uma estrutura melhor de palco, vestiários e coisas do tipo, mas com o orçamento que o evento contava não dava pra fazer muita coisa.
CosplayBr - Além de coordenador, você também já foi juíz de concursos. O que você acha dos julgamentos dos juízes dos eventos de hoje em dia. O que você sugere aos coordenadores de cosplay para instruírem seus juízes?
Kim - O corpo de jurados hoje em dia parece ser o mesmo em todos os eventos, o que por um lado é bom, porque temos certeza que estão cada vez mais aprimorando sua capacidade de julgamento. Por outro lado, repetir sempre os mesmos juízes pode gerar desconfiança por parte do público. Na teoria, bastaria um cosplayer ganhar a simpatia de um juiz para garantir boas notas em vários eventos, e o contrário também poderia acontecer, caso o cosplayer e o juíz tivessem problemas pessoais. Mas acredito na imparcialidade dos juízes e creio que casos assim hoje em dia não acontecem. Mas seria bom para os coordenadores tentar evitar que situações como essa pudessem acontecer, renovando sempre o corpo de jurados. Outra dica que eu dou é convidar o juíz a acompanhar todo o processo de contagem de notas, desclassificações e desempates. Se isso não acontecer, o resultado final pode gerar dúvidas.
CosplayBr - Como você vê os eventos de hoje, fazendo uma comparação com os primeiros eventos que você participou. Você acredita que os eventos estão melhorando?
Kim - Os eventos melhoraram no quesito "atrações". Antigamente ou você via o que estava sendo apresentado no palco, ou ficava comprando coisas em estandes. Hoje em dia as possibilidades de coisas para se fazer no evento aumentaram bastante. Mas o público aumentou de uma forma muito grande nos últimos anos e os eventos não acompanharam esse ritmo. Grande parte dos problemas dos eventos estão relacionados com a super lotação. Um público maior significa mais tempo de fila, mais comida sendo consumida, mais lixo sendo jogado no chão, mais gente pra se controlar caso haja um tumulto. Se o organizador faz propaganda de seu evento no canal de televisão mais assistido do Brasil, ele deve ter idéia que o evento dele tem tudo pra lotar. Então desculpas do tipo "Não esperava que viesse tanta gente assim", acaba não colando. Minha dica aos organizadores seria estudar melhor o local onde o evento vai ser realizado para evitar tumultos em alguns pontos, e investir melhor na segurança e na limpeza.
CosplayBr - Quais os pontos negativos e positivos das competições no País?
Kim - O lado positivo é que estimula a criatividade dos cosplayers. Apesar de existirem cosplayers muito bons que não competem, eu percebo que aqueles que fazem o cosplay para competir tomam cuidado para ser o mais fiel possível ao personagem. Os eventos que dão prêmios melhores acabam atraindo a presença de pessoas com cosplays mais elaborados. O lado negativo é que as pessoas confundem competição com rivalidade e transformam o hobby em guerra. Por isso vemos tantos problemas envolvendo pessoas reclamando de outras que ganharam ou deixaram de ganhar algum prêmio. Quando o prêmio é de alto valor, ele acaba cegando também o coordenador de cosplay: "Pra que eu vou me preocupar com a condição do vestiário, eu estou dando pra eles um video-game de última geração". Pequenas coisas que acabam prejudicando toda a diversão.
CosplayBr - Como você escolhe seus personagens para fazer o cosplay?
Kim - Em primeiro lugar tem que parecer comigo, e em segundo lugar eu tenho que gostar do personagem. Por último eu vejo se o personagem é bem conhecido e se seria bem aceito pelo público. Se ele passar por esses três "filtros", então ele é ideal pra mim. A dificuldade nem é levada tanto em consideração, porque mesmo que demore anos, eu dificilmente desisto da idéia de fazer o cosplay.
CosplayBr - Você está cursando Rádio e TV, isso influencia você a fazer cosplays ou foram os cosplays que influenciaram você a seguir essa carreira (maquiagem, figurino, etc)? Fazer esse curso ajudou em algum momento na realização de algum cosplay? O que você pretende seguir como profissão?
Kim - Na verdade, quando escolhi o curso eu nem tinha muita idéia da importância que a maquiagem e o figurino tinham para a realização de um vídeo (seja ele programa de TV ou filme). Eu escolhi mesmo porque sou louco por edição e efeitos especiais. O cosplay nem teve tanto a ver com essa escolha. O curso não ajudou tanto assim nas minhas apresentações, mas o contrário sim. Já fiz algumas máscaras e acessórios para um vídeo que fiz para o curso e o fato de estar sempre subindo ao palco para me apresentar com cosplay me ajudou a perder um pouco a timidez e ser mais desinibido. No meio televisivo, ser desinibido é fundamental.
CosplayBr - Alguma última consideração a fazer?
Kim - Cosplay é um hobby legal mas que pode também gerar muita confusão. Então tentem sempre se lembrar que a base disso tudo é a diversão.