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Relatos de um não-cosplayer, mas que está diretamente envolvido com os participantes.
O Cosplay Brasil tem por política produzir textos imparciais, mas dessa vez eu vou abrir uma exceção e compartilhar um pouco a minha visão de como foi a Yamato Cosplay Cup até agora, também levando em consideração o fato de que estou acompanhando de perto esses participantes. Aliás, não são participantes, são pessoas maravilhosas com as quais tem sido um prazer dividir esses últimos dias.
Para fazer justiça à Yamato, houve acertos e erros, as vezes até mesmo um puxando o outro, como na velha história do cobertor curto – que se cobre a cabeça e descobre-se os pés, ou cobre-se os pés e descobre-se a cabeça.
Citando alguns itens dessa relação, é possível destacar:
O pavilhão Mart 3 foi pego apenas para o Animekê, pois lá há um salão bastante grande, que comporta com folga os animekeiros. Dessa forma, todas as outras lojas estão vazias e algumas dessas foram utilizadas pelos cosplayers como camarins. Provavelmente jamais terão um espaço tão amplo para deixarem suas coisas e poderem se arrumar.
O lado negativo é que o Mart 3 fica numa ponta do evento, enquanto que o palco principal fica no exato oposto, e como o Mart Center é um local bastante grande, cada ida-e-vinda entre palco e camarim demorava facilmente uns 10 minutos.
A decisão de fazer as apresentações tradicionais numa sexta-feira foi boa, do ponto de vista estratégico. Pois uma Yamato Cosplay Cup, que reuniu 26 dos melhores cosplayers de todo o Brasil, seria um bom chamariz para um primeiro dia de evento, em pleno dia de semana.
Porém, o que se viu foi um público muito pequeno, o que tirou um pouco o brilho do grande evento que a YCC deve ser. Um longo atraso no início da competição (estava previsto início para as 18:00, mas começou às 19:30), aliado ao frio paulistano, fizeram com que as pessoas fossem embora.
O palco, como sempre, maravilhoso. Qualidade sonora excelente, sem estouros, sem ruídos: mesmo quem ficou atrás da caixa de som (meu caso, que estava fotografando), não saiu de lá com “zumbidos” nos ouvidos nem nada do gênero.
Há também uma rampa bastante larga atrás do palco para até mesmo os maiores e mais alegóricos cosplays e cenários conseguirem passar sem dificuldades. Acredito que em termos de estrutura de palco a Yamato continua sendo imbatível. Ponto positivo também para os apresentadores Daniel Verna “Kuroda” e Mariama Monteiro “Plu”, que conseguem manter o público na mão.
As apresentações em si podem ser divididas em “as que deram errado” e “as que deram certo”. Falhas já comuns como perucas rebeldes, “pocs” que não estouram, faixas de CD trocadas e cenários que não funcionam como deveriam, aconteceram. As apresentações que não sofreram com isso correram bastante bem.
Não se pode, absolutamente, esperar algo ruim quando se tem quase 30 cosplayers incríveis do Brasil todo. É muito prazeroso ver o quanto o hobby é difundido no país, o quanto o pessoal consegue se virar para produzir cosplays maravilhosos mesmo morando em regiões que, convenhamos, não têm toda a facilidade de acesso como para quem mora na cidade de São Paulo ou cercanias.
Também não houve um padrão nas performances. Tivemos encenações mais engraçadas (como a apresentação de Rodrigo Vianna “Kanchi”, com FLCL), reproduções de cenas de anime (como Vitor Mateus “Jester” e Gabriel Niemietz “Hyoga de Toalha”, com Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z, respectivamente), e criações próprias (como da Cátia Villagrand, de Caverna do Dragão).
Mas o que ficou evidente – e foi comentado por uma juíza, e reforçado por um cosplayer também – é que ocorreu uma “staff-dependência” muito grande (praticamente todos usaram auxílio e muitos também usaram três staffs ). Nas apresentações individuais em geral parece que há mesmo uma tendência em produzir grandes cenários, efeitos de explosão, luzes, etc., o que é tudo muito bom quando funciona.
Lembremos da teoria do caos: quanto mais complexo é um sistema, a menor falha consegue produzir grandes estragos.
É isso, aparentemente, que anda acontecendo nas apresentações: uma preocupação muito grande em fazer algo cada vez mais cinematográfico, em que quando falha um detalhezinho, pode pôr toda uma apresentação por água abaixo.
Fica a sensação de que, em geral, ainda falta dosar o “cos” (e todo o “eye candy” que ele traz) com o “play”, algo que vá surpreender a platéia, fazer com que todos aplaudam efusivamente.
Porém, fazendo justiça aos cosplayers, é possível afirmar sem medo que as apresentações foram boas e "valeu o preço do ingresso". Podem todos dormir com a sensação de dever cumprido.
Para o domingo, o que esperar? Acredito que o domingo seja mais interessante por diversos motivos: os cosplayers estarão mais descansados (tiveram o sábado livre), já haverá passado a tensão inicial de se fazer uma apresentação tradicional (lembrando que será apresentação livre no domingo), haverá um público maior para prestigiar esses excelentes cosplayers e dar a devida dimensão do que deve ser uma Yamato Cosplay Cup, e também aquela sensação de “última música do show”, na qual todos se empolgam mais.
Quem puder ir ao Anime Friends nesse domingo certamente não ficará desapontado.
Aqui vão as fotos do sábado, algumas individuais de parte dos concorrentes, e fotos de todas as apresentações.
Revisão por Isabel Ferreira "Miyazawa" |