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Terceira representante de Recife na final nacional da YCC, a estudante de Direito e redatora do CB, Isabel, fala sobre suas expectativas em sua primeira final dos ditos "grandes concursos".
CB – Você não é novata nesse meio, faz cosplay há uns bons anos. Mas faz pouco tempo que começou a competir para valer. Sente-se uma veterana ou uma novata?
Isabel – Sinto-me uma veterana, porque não acho que a competição seja o principal de um cosplay. Com todos os meus cosplays, o mais importante sempre foi sentir-me como se fosse aquele personagem por um dia, e isso todos eles me proporcionaram. Além disso, eu sempre gostei de participar dos concursos, só que competições grandes como a YCC e o WCS não estão presentes por aqui há tanto tempo.
CB – Sua aproximação com Allan, Poli e outros foram importantes para você ter esse crescimento como cosplayer competitiva, não? Eles que “botaram pilha” ou era algo que você já tinha vontade e foi “pessoas certas, na hora certa”?
Isabel – Na verdade, meu empenho nas competições é o mesmo desde o início. O que mudou é que, com o nascimento de concursos grandes como a YCC, os concorrentes passaram a desenvolver novidades na apresentação, como áudio gravado, cenário, etc. No começo, não havia isso. Como eu não sou uma pessoa muito competitiva, estava alheia a essas inovações, até começar a observar algumas pessoas fazendo apresentações diferenciadas. Allan foi, imagino, o pioneiro nesse tipo de coisa por aqui. Uma apresentação dele que me marcou foi a de Cain, de Trinity Blood, no SuperHeroCON 2007, em que ele estava com um cosplay maravilhoso e com um cenário lindo. Achei aquilo incrível e comecei a pesquisar mais. Posteriormente, ficamos mais amigos durante as preparações para o nosso grupo de Final Fantasy VI, e aí acabei aprendendo muita coisa nova tanto pra usar nas minhas apresentações, quanto pra melhorar o resultado final dos meus cosplays. Mesmo assim, eu sempre acabo pendendo pra apresentações o menos alegóricas possíveis (risos)! Então, no fim das contas, o que mudou mais foi que eu me aprimorei como cosplayer, mas até hoje ainda vejo competições de uma forma light.
CB – O seu trabalho no CB também fez você conhecer mais pessoas pelo país todo. Também serviu de incentivo para participar da YCC (e, consequentemente, vir para SP e encontrar os amigos)?
Isabel – Bem, o que acontece é que o único evento aqui em Recife que tem seletiva para a YCC é o AnimePan, e é no concurso individual tradicional. Quando participei pela primeira vez, no começo do ano passado, não estava dando a mínima para a YCC, queria era participar do tradicional! (risos) Porém, como eles coincidiam, acabei competindo de "gaiata" (risos). O meu trabalho no CB começou mais efetivamente depois dessa seletiva, e abriu muito meus horizontes em relação a essas competições maiores. Fiquei sabendo bem mais sobre elas, até pelo trabalho direto em cima do assunto e dos competidores. Contudo, não teve relação direta com minha participação na YCC... claro que a ideia de ir a SP é maravilhosa, mas eu participei da seletiva neste ano mais ou menos como participaria de um concurso individual tradicional comum. Apenas tentei caprichar mais na apresentação.
CB – Para encerrar o tema “como tudo começou”: você deixa a entender que, independente de qualquer coisa, seu empenho como cos e player seria o mesmo, com ou sem grandes concursos por aí. É isso?
Isabel – Exatamente. Como eu disse no início, a grande satisfação de ser cosplayer é, pra mim, poder ser aquele personagem por um dia, e isso, a meu ver, independe de qualquer competição. Gosto de participar de concursos porque é uma oportunidade de atuar como aquele personagem para todo mundo ver, mas é só isso. Não sou muito competitiva. O que quero é dar o melhor de mim porque amo o personagem, e não porque estou participando de um concurso de grande porte e "preciso ganhar".
CB – Conversando um pouco sobre a seletiva agora: a escolha de um personagem como a Bubble Head Nurse se deu como? Por ser uma personagem “genérica”, não ficou com receio de não desenvolver uma boa apresentação?
Isabel – Bem, como acontece com quase todos os meus cosplays, eu mudo de ideia várias vezes antes de tomar uma decisão definitiva! (risos) Antes da Bubble Head, passaram muitas opções pela minha cabeça. Acabei me decidindo por ela porque é o meu monstro preferido do filme Terror em Silent Hill. Nunca joguei nenhum dos jogos por medo (risos), mas amo o filme, e depois de me decidir por ela, fui pesquisar sobre os jogos, de qualquer forma. Eu não tive medo de fazer uma má apresentação, porque por mais genérica que ela seja, todas se portam de uma forma específica, e foi isso que tentei reproduzir no palco, até me preocupando em criar uma atmosfera parecida com a do filme. Então, independentemente do resultado, eu sabia que tinha feito o melhor que podia.
CB – Já teve um grupo de Bubble Head Nurses em São Paulo. E agora você optou por fazer cosplay dela. Tem alguma mística, algum charme em cima da personagem, que algumas meninas estão resolvendo fazer cosplay dela (indo na contramão das personagens sexy)?
Isabel – Não sei dizer, sinceramente! Mas acho que ela é sexy, de uma certa forma, por ter um corpo bonito e uma roupa que não a cobre tanto. Acho que a dualidade entre esse lado sexy e o grotesco, presente na cabeça deformada e na pele rota, necrosada e machucada, tornam a Bubble Head Nurse uma personagem atraente pelo exótico. Contudo, o que eu levei em consideração na escolha foi o fato de achá-la o monstro mais perturbador do filme! Até porque não costumo fazer cosplay de personagens sexy. (risos)
CB – Já vi gente perguntando da maquiagem e do cosplay; pode compartilhar sobre o processo? Ou indicar algum lugar de onde você se baseou?
Isabel – Foi um processo completamente auto-didático! (risos) Não tinha base nenhuma pra fazer a maquiagem, nem conhecia alguém que já tivesse feito algo parecido. Simplesmente tentei imaginar o que deveria usar, comprei e saí testando. Gastei quase metade do meu pancake só nos testes (risos)! Na pele, usei pancake branco comum diluído em água, pancake cremoso para pele morena e sombras preta e verde-musgo, sem brilho. Para fazer as veias, lápis de olho vermelho e azul. Para manchar o vestido, utilizei tinta pra tecido diluída em água, em diversas concentrações. É engraçado, quando falo que usei essas coisas simples a galera arregala o olho (risos).
CB – Você foi a última a se apresentar no concurso. Quando você terminou a sua apresentação, pensou “Acho que dá para levar?” ou o que?
Isabel – Nem cheguei a pensar muito, para ser sincera, porque minha preocupação maior era não tropeçar nas escadas (risos)! Estava somente com cerca de 50% da visão do olho direito, e o esquerdo, coberto. Além disso, do lugar onde eu estava atrás do palco, não consegui ver a apresentação de mais ninguém. Só que enquanto eu subia as escadas do teatro, praticamente o público inteiro se virou para mim e começou a me aplaudir! Fiquei extasiada, e nesse momento eu pensei "bem, pode ser que eu não ganhe, mas com certeza consegui agradar a plateia!". Só isso já me deixou muito feliz, e aí tudo que eu podia fazer era esperar, porque em não tendo visto as demais performances, eu nem tinha como fazer comparações.
CB – Demorou muito para cair a ficha que ganhou a vaga?
Isabel – Não! (risos) Eu estava sentada juntinho do palco, e na hora que anunciaram o resultado, comecei a pular e gritar feito doida. Foi uma premiação muito bonita, porque não houve pessoa alguma de cara feia, estava todo mundo se abraçando. Até abraço coletivo de outros participantes, que são meus amigos, eu ganhei (risos)!
CB – Você disse algumas vezes que não é competitiva. Mas não passa pela cabeça um “já que estou aqui mesmo, não custa nada tentar ganhar”? De qualquer forma, quais as expectativas para a final?
Isabel – Bem, mesmo não sendo competitiva, não subo ao palco pensando "meu, minha apresentação tá uma droga, vou sair correndo" (risos). Eu tento mesmo fazer o meu melhor, então invariavelmente eu tento ganhar. Mas isso não é minha maior prioridade. Para a final, eu espero somente o que espero sempre: fazer jus a um personagem que eu amo com uma bela apresentação!
CB – Quer fazer jus a um personagem que você ama. E esse personagem, você pode/gostaria de adiantar qual será para a final ou vai fazer um misteriozinho?
Isabel – Ah, vou fazer um misteriozinho!
CB – Nem uma dica?
Isabel – Eu só digo que é um personagem incomum.
CB – Espelha-se em cosplayers como Daniela Uchôa, Thiago da Mata e André Andrade, por serem cosplayers que contam mais com a própria apresentação do que com cenários e efeitos especiais?
Isabel – Não me espelho, mas me identifico com eles, sim. Uma coisa que me incomoda é quando o "play" perde muito espaço para o "cos". Isso tem acontecido com uma frequência maior do que deveria, na minha opinião, e acabamos vendo apresentações quase que realizadas pelos staffs, ou com efeitos especiais excessivos. Em parte por isso, e em parte porque eu gosto muito de atuar, sempre procuro fazer performances cujo ponto forte seja o "play".
CB – Saber que a YCC realmente leva o play em consideração já serve de alento para se dedicar a isso com mais carinho, não?
Isabel – Na verdade, não acho que a YCC penda para algum dos dois lados. Um exemplo é o resultado do ano passado, no qual ficou em primeiro lugar o [Gabriel] Hyoga, com cosplay de Goku, com uma apresentação com mais efeitos especiais e ação de staffs, e em segundo e terceiro, a Daniela, de Mei, e o Thiago, de Dr. Maki Gero, que primaram mais pelo play. De qualquer forma, com certeza vou me dedicar com muito carinho à minha performance!
CB – O fato de vir com dois amigos pessoais de Recife dá uma segurança a mais? Ansiosa para fazer parte das famosas “farras” no hotel e tudo mais?
Isabel – Ah, claro (risos)! Estou muito feliz de viajar com Allan e Poli, porque somos amigos, e orgulhosa de haver três representantes de Recife na final. Eles são duas pessoas super talentosas e tenho certeza de que farão muito bonito. Além disso, os dois são muito animados, então certamente agitarão as farras no hotel (risos)!
CB – Outros voos, como CLC, WCS?
Isabel – Tentei participar do WCS tanto no ano passado quanto neste ano, mas por problemas comigo e com Mayu, que seria minha dupla, acabamos não podendo. No futuro, talvez tentemos de novo... Já no CLC é mais complicado, porque não tem seletiva aqui em Recife, ainda. Contudo, apesar de achar divertido me apresentar em grupo, eu me sinto mais segura ao me apresentar sozinha.
CB – Acho que você é a primeira pessoa que diz que se sente mais segura sozinha...
Isabel – Isso é uma surpresa pra mim (risos)! Talvez seja porque durante toda a vida costumei fazer minhas coisas sozinha, então me sinto segura comigo mesma.
CB – Bom, chegamos ao final. Boa sorte para você na final e que faça bonito! Claro, e o recado para os nossos leitores!
Isabel – Quero agradecer a todos que leram a entrevista até o final, e também a todas as pessoas que me ajudaram e continuam me ajudando a realizar meus cosplays, que são pequenos sonhos. Meu recado é que nunca deixem de sonhar e tentar alcançar aquilo que desejam, por mais difícil que pareça. Se não consegue de um jeito, invente caminhos diferentes! É isso que nos faz evoluir. E sempre tenham fé. Obrigada e até a final!
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